Governo usa dados artificiais para tentar encobrir realidade do Estado, diz Caiado


|||Após reunião no TCE, governador eleito do DEM afirma que realidade fiscal apresentada por gestão tucana não corresponde com dados obtidos junto ao Ministério da Fazenda

DA REDAÇÃO

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (5.nov), após reunião no Tribunal de Contas do Estado (TCE), o governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), disse que as informações apresentadas até o momento pela atual gestão são incompatíveis com a realidade e com os dados fiscais obtidos por meio do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda.

“A realidade é que os dados apresentados até o momento pelo governo são artificiais. Se raciocinarmos bem como é que o Estado pode estar dentro da normalidade se não há o pagamento de Organizações Sociais, da Bolsa Universitária e nem sequer do funcionalismo público? Não é uma situação de normalidade. É preciso que o atual governo dê total transparência à realidade por qual passa Goiás”, afirmou.

Questionado sobre as mais de 5 mil páginas enviadas pela atual gestão para avaliação por parte da equipe de transição, Ronaldo Caiado afirmou que as informações são meramente descritivas e não aprofundam no principal, que é explicitar o quadro fiscal do Estado e mostrar em que situação ele irá receber o governo em primeiro de janeiro de 2019.

“O que estamos recebendo são informações descritivas, que qualquer um acessa pela internet. Não tem nenhum dado que seja capaz de mostrar a realidade do Estado. Não é transparência mostrar apenas quantos funcionários têm em Goiás. Como que recebo informações do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda e do responsável pelas contas públicas que não batem com as que recebemos de Goiás? A União está nos oferecendo dados que não são verdadeiros?”, questionou.

Principal motivo do encontro realizado nesta manhã, Ronaldo Caiado afirmou que o decreto que revoga a obrigatoriedade de se pagar o salário dos funcionários públicos dentro do mês trabalhado escancara as dificuldades financeiras do Estado.

“O próprio decreto do governador [José Eliton] ainda mostrou a fragilidade com que Goiás se encontra do ponto de vista fiscal”, disse. “A legislação vigente não autoriza quem quer que seja a baixar um decreto dizendo que não reconhece aquilo que é o mais previsível, que é o pagamento da folha de funcionários. Toda a população entendeu com isso que a situação fiscal do Estado é grave, gravíssima. Por isso o governo não pode sinalizar para um quadro de normalidade”, ponderou.

Segundo Caiado, o quadro caótico tem afetado diretamente a economia do Estado. “Quero que seja colocado às claras o que está causando esse colapso na economia do Estado de Goiás. Segurança, saúde, salários de funcionários, matrículas dos alunos, empregos que serão ceifados nesse período de final de ano. É uma preocupação de todos os funcionários públicos se vão receber ou não. É um momento delicado até para a economia do Estado. Vejam bem, são duas folhas de pagamento. Estamos falando de R$ 2,6 bilhões. São valores substantivos”, destacou.

Segundo o governador eleito, a equipe de transição estabeleceu um prazo até 30 de novembro para apresentar dados que realmente apontem caminhos para 2019. “Interessa-me saber qual é a capacidade de recuperação do Estado, quais são as dívidas, os contratos que vão indiscutivelmente trazer consequências diretas no momento em que eu assumir o governo. Isso que precisa ser repassado agora”, reforçou.

Sobre a previsão orçamentária do governo de que haveria superávit de R$ 900 milhões nas contas do Estado, Ronaldo Caiado lembrou que isso não deve se confirmar. “A previsão era de superávit de R$ 900 milhões, a realidade é de um déficit de R$ 3,6 bilhões. Não sou eu quem estou dizendo, são técnicos da própria Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, sobre o orçamento aprovado e sancionado pelo governo”, disse.

Por fim, o democrata destacou sua determinação em resolver o caos nas contas públicas de Goiás e resolver os incontáveis problemas de todas as regiões. “Começaremos 2019 com um novo modelo de gestão. Acredito que terei por parte da sociedade, dos empresários, servidores públicos, trabalhadores, um grande engajamento. Ninguém governa sozinho. Mais do que nunca precisarei do apoio de todos”, arrematou.

Participaram da reunião com o procurador Fernando Carneiro o vice-governador eleito, Lincoln Tejota (PROS), e os advogados Anna Vitória Gomes Caiado, Alexandre Alencastro e Anderson Máximo.

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