Bombeiros de Anápolis com cadelas farejadoras atuam em Brumadinho


||| Dois oficiais e os animais do Corpo de Bombeiros de Anápolis trabalham no resgate das vítimas no rompimento da barragem da mineradora Vale localizada na cidade mineira

FERNANDA MORAIS

Para auxiliar na localização de desaparecidos na tragédia de Brumadinho (MG), os bombeiros contam com o auxílio de cães farejadores. Dois oficiais do 3º Batalhão Bombeiro Militar (3º BBM), sediado em Anápolis, acompanhados com cadelas treinadas, estão trabalhando na área do rompimento da barragem na cidade mineira. São eles o subtenente Leonardo Dias Soares e Bruma (da raça labrador); e o 3º sargento Sebastião Carlos da Costa e Cristal (da raça border collie).

De acordo com o chefe da Seção Operacional do 3º BBM, tenente Vilmar Teixeira Andrade, os bombeiros de Anápolis são treinados em busca e salvamento com cães. Assim, tanto os homens quanto os animais suportam situações adversas como as de Brumadinho, com clima quente, baixa umidade e, no caso, contato direto com muita lama.

“Recebemos o chamado do Comando Geral dos Bombeiros para destacar dois militares preparados para atuar no resgate em Brumadinho, e hoje estão lá o subtenente Soares e o 3º sargento Costa com a Bruma e a Cristal”, confirma o oficial, em entrevista por telefone ao Anápolis360° na quinta-feira (31.jan.19).

O tenente diz que as cadelas passaram por um treinamento intenso ao longo de suas vidas para que pudessem atuar em buscas. Os animais são escolhidos ainda pequenos pelo militar que será o seu condutor. Portanto, ele cresce atuando com um único bombeiro. Por isso, a convocação de um implica na presença do outro.

“É uma relação de confiança. O treinamento do bombeiro e do animal é junto. Eles estão sempre acompanhados um do outro durante o resgate e também no dia a dia da corporação”, explica Vilmar Teixeira Andrade.

Os cães são treinados para situações de resgate, para ajudar os bombeiros a localizar corpos debaixo de escombros. Quando o animal fareja a vítima já morta soterrada, por exemplo, ele ergue as orelhas, anda em círculos e começa a cavar os entulhos. Mas quando ele fareja um sobrevivente nos escombros, começa a latir.

O trabalho dos cães farejadores é considerado fundamental em uma operação de buscas. Quando os animais entram em ação, máquinas pesadas como tratores são desligadas para que eles consigam se concentrar na busca por sinais vitais. O adestrador que acompanha o animal também não pode perder a concentração.

“Mas eles são acostumados com todos os equipamentos utilizados pela corporação para as missões de resgate. Andam de helicóptero sem problemas, como está acontecendo em Brumadinho agora, conseguem saltar da aeronave com preparo e sem qualquer receio junto com seu condutor. É um trabalho realmente de dupla e de confiança”, reforça o tenente Andrade.

O oficial explicou ainda que assim que o cachorro encerra seu tempo de trabalho, por volta dos 10 anos, ele é colocado para adoção. O seu condutor tem prioridade. Caso o bombeiro não possa ficar com o animal, é aberta a adoção para os demais militares da corporação e, em seguida, para a comunidade.

No canil do 3º BBM em Anápolis estão disponíveis oito cães treinados. Além da Bruma e da Cristal, fazem parte desse grupo os pastores belgas Malinois, Atom, Nero e Afra; Fini, da raça golden retrivier, o labrador Chronos e Darth, da raça pastor cinza.

Brumadinho Equipes de resgate realizam nesta quarta-feira (31.jan.19) o 7º dia de buscas após o rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG). Até o momento, há confirmação de 110 mortos. Autoridades confirmaram também que há 238 desaparecidos.

O mar de lama varreu a comunidade local e parte do centro administrativo e do refeitório da Vale. Entre as vítimas, estão pessoas que moravam no entorno e funcionários da mineradora. A vegetação e rios foram atingidos.

A barragem de rejeitos da mineradora, que ficava na mina do Córrego do Feijão, se rompeu no dia 25 de janeiro, provocando uma tragédia repetida em Minas Gerais. Em novembro de 2015 o rompimento da barragem de Fundão da mineradora Samarco deixou 19 mortos e causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues.

O 3º sargento Sebastião Carlos da Costa com Cristal, uma border collie, e o subtenente Leonardo Dias Soares, que atua no resgate de vítimas em Minas Gerais com Bruma, uma labradora. Bombeiros de Anápolis somam forças com centenas de profissionais em Brumadinho

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