Instituto analisa armas apreendidas no crime em Goiás: 43% têm origem legal


||| No Estado de Goiás, 71% das armas apreendidas são de fabricação nacional e ao menos 43% têm origem legal; perfil é semelhante ao encontrado em outras regiões do Brasil

DA REDAÇÃO

Pesquisa realizada pelo Instituto Sou da Paz mostra o perfil das armas apreendidas no crime em Goiás: 74% são de cano curto, 75% são de calibre permitido e 71% são fabricadas no Brasil.

O levantamento foi feito em todo o Brasil e a entidade afirma que esse mesmo padrão com encontrado em apreensões da polícia nas regiões Nordeste e Sudeste.

O relatório “De onde vêm as armas e munições apreendidas no estado de Goiás?” também identificou que, no estado, 43% das armas rastreadas tinham proprietário legal. Tanto a vinculação com o mercado legal quanto a origem nacional contrariam o senso comum de que a as armas do crime sejam oriundas de tráfico internacional.

Além disso, o estudo indicou que 73% das armas haviam sido fabricadas antes da aprovação da lei 10.826/2003, conhecida como Estatuto do Desarmamento, o que mostra que o descontrole de armas da década de 1990 produz impactos na violência do Brasil hoje.

O novo estudo do Instituto Sou da Paz analisou 8.912 armas e 21.441 munições apreendidas no estado gerando dados comparáveis com outras regiões do país.

Fabricação Das 8.912 armas apreendidas em Goiás entre junho de 2016 e dezembro de 2017, 84% eram de fabricação industrial, enquanto simulacros e armas de pressão somaram 9% e armas de fabricação artesanal 7%.

Entre as armas de fabricação industrial, os revólveres representaram mais da metade (53%), as pistolas somaram 17% e as espingardas 16%. As armas de maior poder de fogo, como fuzis e submetralhadoras, foram apenas 2% do total.

Em grandes categorias, foram usadas majoritariamente armas de cano curto (70%), de calibre permitido (75%) e de fabricação nacional (71%). Apenas o conglomerado empresarial brasileiro que controla as marcas Taurus, Rossi e CBC somou 67% do total, contrariando o senso comum de que a maioria das armas apreendidas é oriunda de grandes rotas de tráfico internacional.

Origem Para avançar na compreensão sobre a origem das armas apreendidas, o relatório apresenta resultados de um rastreamento das armas com numeração preservada no Sistema Nacional de Armas (Sinarm) onde estão cadastradas apenas as armas de pessoas físicas que detêm registro para defesa pessoal, as armas de forças de segurança civis e de empresas de segurança privada.

No Estado de Goiás, 64% das armas industriais apreendidas tinham numeração preservada, um porcentual representativo que fora de 50% na capital de São Paulo e de 78% no Ceará. Das armas rastreadas em Goiás, 2.073 (ou 43%) tinham um registro prévio no Sinarm, o maior porcentual em comparação com a capital de São Paulo e o Ceará que obtiveram retorno, respectivamente, em 38% e 33% das armas consultadas.

Munições Por fim, o relatório coloca o Estado de Goiás entre os pioneiros que aderem à boa prática de coletar e divulgar os dados de apreensão de munições na gestão da sua segurança pública. Apesar de o controle de munições também ser uma atividade estratégica, essa ainda é uma política incipiente no Brasil.

Até 2018, o único estado que fazia este levantamento e o publicava era o Rio de Janeiro por meio do Instituto de Segurança Pública.

Em Goiás, foram identificados os calibres de 13.882 munições apreendidas, sendo possível diferenciar os calibres comumente permitidos para uso civil, que somaram cerca de 50%, e os de uso mais restrito, que representam apenas 14%, havendo ainda uma grande parcela de 35% das munições sem este detalhamento. Em relação às marcas, a predominância foi da brasileira CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), responsável por 69% das apreensões ou quase a totalidade dos casos em que esta informação estava registrada.

#institutosoudapaz #pesquisa #armas #apreensões #goiás #origem