Só a Acia pode salvar o Centro de Convenções de Anápolis


||| A entidade está disposta a assumir a megaestrutura que foi inaugurada no ano passado e até agora não funcionou efetivamente. A cada dia que passa, surgem sinais de abandono que são péssimos para um governo que prometeu melhorar a gestão pública

MARCOS VIEIRA

Caso analise mesmo que superficialmente a situação do Centro de Convenções de Anápolis, o governador Ronaldo Caiado (DEM) chegará à conclusão que a melhor coisa a ser feita é passar a gestão do espaço para a Acia (Associação Comercial e Industrial de Anápolis).

A entidade classista já topou assumir a megaestrutura que só de área construída tem 33 mil metros quadrados e que ameaça se transformar em um grande elefante branco.

A Acia quer usá-la para abrigar no dia a dia o Comitê da Indústria de Defesa e Segurança de Goiás (Comdefesa-GO), que luta para consolidar um polo deste setor em Anápolis.

Também pretende colocar o polo tecnológico no local, abrindo espaço para que a cidade abrigue startups. Esse projeto, inclusive, foi uma promessa do governo passado para os empresários anapolinos.

Há ainda a chance de se tentar formar uma agenda de eventos e apresentações nos teatros existentes no centro de convenções. O setor hoteleiro que chegou na cidade nos últimos anos anseia por isso desesperadamente.

Em um governo que tenta economizar ao máximo, ceder uma estrutura que terá um alto custo mensal acaba sendo interessante.

Hoje o centro de convenções não tem nem energia elétrica. A Enel já disse que não possui megawatts para fornecer ao local, que caso queira funcionar só na base de geradores movidos a óleo diesel.

Imagine os recursos para a segurança e manutenção simples, como limpeza e zeladoria?

Cravado no trevo sul de Anápolis, o centro de convenções é exemplo de obra grandiosa feita sem que o governante se preocupasse de que maneira iria mantê-la.

Um espaço que fomentasse o turismo de negócios em Anápolis foi prometido por Marconi Perillo (PSDB) desde o seu primeiro mandato (1999 a 2002). O tucano venceu a reeleição, tomou posse em 2003 e seguiu prometendo. A obra só começou em 2013, no penúltimo ano do terceiro mandato de Marconi.

As obras que deveriam durar até junho de 2014 se estenderam até 6 de abril de 2018, às vésperas de Marconi Perillo deixar seu quarto mandato de governador, data em que o centro de convenções foi inaugurado homenageando o empresário Idelfonso Limírio.

Mesmo consumindo R$ 154 milhões dos cofres estaduais, ainda faltam algumas coisas para serem feitas no local. Calcula-se que o valor para esse término deve chegar a R$ 8 milhões.

O governo anterior cogitou passar a gestão do centro de convenções para a Universidade Estadual de Goiás (UEG). Falou-se ainda em abrir licitação para a concessão de todo o espaço ou de parte dele, como teatros e restaurantes. A derrota nas urnas enterrou esses projetos.

Ronaldo Caiado assumiu sem dizer o que pretende fazer com o espaço. A Acia então apareceu para propor negócio. A curto prazo é algo bom para o poder público, pois a cada mês que passa, o abandono fica mais latente e o centro de convenções vai se transformando em um cartão postal negativo para Anápolis.

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