Hospital de Urgências de Anápolis reduz leitos e estrangula rede pública, revela secretário de Saúde


||| Lucas Leite informa que mesmo com contrato ativo, Fasa reduz número de leitos da unidade. São ao menos 20 fechados, de acordo com uma primeira constatação feita por vistoria do governo estadual

DA REDAÇÃO

Em fevereiro a Fundação de Assistência Social de Anápolis (Fasa) anunciou que deixará a gestão do Hospital Estadual de Urgências de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Huana). Na ocasião, a entidade distribuiu nota para a imprensa informando que permanecerá administrando o hospital até que uma nova Organização Social (OS) seja contratada para seu lugar.

O prazo dado para que essa mudança ocorra é de 90 dias. Com isso, o governo estadual fez um termo aditivo para o período. Assinado pela irmã Aldenir Mota Ribeiro, a Fasa se compromete a manter os serviços de 21 de fevereiro a 21 de maio. Valor total do período: R$ 16.271.609,88, com parcela mensal de R$ 5.423.869,96.

O termo aditivo informa que esse prazo pode ser estendido até que se conclua novo chamamento público para seleção de uma OS para gerir o Hospital de Urgências. Ou seja, a Fasa não deve sair tão imediatamente do Huana.

Nesta quinta-feira (21.mar), o secretário municipal de Saúde de Anápolis, Lucas Leite, convocou a imprensa para informar que o Hospital de Urgências vem reduzindo o número de atendimentos mesmo estando com o contrato ativo, o que tem gerado problemas para toda a rede pública local e de cidades vizinhas.

Uma vistoria já foi feita pelo governo estadual no Huana para apurar a denúncia. Em um primeiro momento, identificou-se 20 leitos desocupados, além de seis a sete leitos de UTI sem pacientes.

Essa atitude gera um efeito cascata desastroso para Anápolis e região, superlotando a UPA e o Hospital Municipal. Pacientes que precisam de cirurgias eletivas ortopédicas estão em casa.

Confira a seguir a entrevista concedida pelo secretário Lucas Leite.

Qual a situação atual da rede de emergência em Anápolis? Houve um estrangulamento da nossa rede devido à redução do número de leitos no Hospital de Urgências. Isso foi feito sem a comunicação prévia à Secretaria Municipal de Saúde, sem comunicar a nossa Regulação e sem comunicar ao governo estadual. Observando essa redução de leitos, do número de procedimentos das cirurgias ortopédicas – e observando a lista que hoje temos de 87 pacientes ortopédicos que estão aguardando cirurgia no Hospital de Urgências – nós notificamos o Estado, que hoje fez vistoria in loco no hospital, e ficou de nos enviar um relatório prévio para que possamos tomar as devidas providências administrativas.

O senhor pode adiantar o que foi observado nesta vistoria? Na vistoria foi identificado em torno de 20 leitos desocupados, além de seis a sete leitos de UTI também desocupados.

"Na vistoria foi identificado em torno

de 20 leitos desocupados, além de

seis a sete leitos de UTI também

desocupados"

Desocupados ou desativados? Desocupados. Não sei se estão desativados. O relatório do Estado é que nos informará se esses leitos estão desativados ou não. Mas, enfim, o Estado complementou um termo aditivo no final desse mês, o nono termo aditivo no valor de R$ 5 milhões para o Huana, e eles estão com o contrato ativo e fizeram uma redução de leitos sem explicação prévia para a Secretaria de Saúde.

Esse valor de mais de R$ 5 milhões é o mesmo do contrato anterior? Sim, não houve redução e como primeira informação do Estado, o Huana deveria manter as metas e as produções do contrato anterior.

Houve uma redução do quadro de profissionais da Santa Casa? Notificamos hoje a Santa Casa devido à falta de profissionais na porta de entrada, principalmente clínico, pediatra e cirurgião ortopedista. Vários dias da semana há furo nessa escala causando prejuízo para nossa rede.

Voltando ao Huana, que tipo de serviço é regulado pela Secretaria de Saúde para a unidade? Serviços de politrauma, de vasculares agudos, quando tem sangramento arterial agudo, fratura exposta, fratura fechada que não é realizada nem no Hospital Municipal e nem na Santa Casa. Isso não só de Anápolis, mas de toda a Regional Centro-Norte de Goiás. São pacientes que veem até da divisa com o Tocantins para o Hospital de Urgências.

Onde estão indo esses pacientes que deveriam estar no Hospital de Urgências? A maioria está no Hospital Municipal, travando os leitos. Isso impede que nós desafoguemos a UPA. Pacientes que aguardam internação estão na Santa Casa ou em domicílio, com imobilização temporária, aguardando cirurgia.

"A maioria [dos pacientes] está no

Hospital Municipal, travando os leitos.

Isso impede que nós desafoguemos a

UPA. Pacientes que aguardam internação

estão na Santa Casa ou em domicílio,

com imobilização temporária,

aguardando cirurgia"

Isso explica a superlotação da UPA? Com certeza. A partir do momento que nós não conseguimos encaminhar esses pacientes da UPA, estão todos os leitos ocupados, causando transtornos.

Quais medidas que serão tomadas pela Prefeitura de Anápolis? A primeira medida foi a notificação do Estado, visto que o Hospital de Urgências não é de responsabilidade do Município, ele é financiado e custeado pelo Estado. A segunda medida foi responder uma demanda do Ministério Público, que essa semana nos solicitou informações sobre os pacientes que estão aguardando cirurgia ortopédica. O MP recebeu nosso relatório, com a lista dos pacientes, e tomará as suas ações.

Quando o Estado enviará o relatório da vistoria? Creio eu que até amanhã no final da tarde teremos um resultado, visto que é não só uma preocupação de Anápolis, mas de toda a região Centro-Norte. Vários municípios estão aguardando cirurgias ortopédicas, como Porangatu e Ceres, e da regional Pirineus, que estão estrangulados.

Leitos do Hospital Municipal estão sendo utilizados para pacientes ortopédicos? Hoje 90% dos pacientes que estão dentro do Hospital Municipal são cirúrgicos ou ortopédicos, demonstrando que o prejuízo da rede em decorrência da redução dos leitos do Huana.

E a greve dos anestesistas. Já tem solução? É uma greve ilegal. Um grupo de anestesistas de Anápolis que é filiado à nossa prestadora resolveu entrar em greve. O motivo é que em uma de suas notas de pagamento houve a inconformidade diante da sua produção, isso levantado pela nossa auditoria, no valor de mais de R$ 86 mil. Hoje se finda o prazo para a manifestação do prestador para que possamos realizar o pagamento, mas até o momento nada chegou até nós, o que impossibilita de pagarmos até as 18 horas. Como o prazo se encerrou, aplicaremos a glosa e pagaremos a nota com diferença desse valor com inconformidade.

Existe medida jurídica sendo tomada? Sim, estamos elaborando um relatório e vamos enviar ao Conselho Regional de Medicina. Iremos também enviar esse relatório para o Ministério Público e adotaremos medidas administrativas aqui na Secretaria Municipal de Saúde.

Diante desse quadro, quais as orientações para os pacientes, sobretudo para casos de dengue, que subiram nas últimas semanas? A primeira coisa é procurar a unidade básica mais próxima da sua casa. No caso de dengue, trata-se de um quadro de emergência e a pessoa com suspeita deve ser atendida na unidade básica. Paciente com febre, com dor, com indisposição deve ser atendido na unidade básica. Temos duas unidades estendidas, que é do Parque Iracema e a unidade mista do Abadia Lopes, onde esses pacientes podem buscar atendimento que são suporte para UPA.

Secretário municipal de Saúde, Lucas Leite, em entrevista coletiva (Foto: Renato Lopes/Ascom)

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