Sem regulamentação, população convive com a insegurança ao usar transporte por aplicativo


||| Caso de motorista de Uber que estava com criminosos confessos reacende debate em Anápolis sobre a necessidade de criar regras para o serviço, com registro daqueles que trabalham em órgãos fiscalizadores

DA REDAÇÃO

No dia 20 de março, o Ministério Público do Rio de Janeiro pediu à Justiça a prisão preventiva de um motorista da plataforma Uber por estupro de uma menor. Junto com a denúncia, o órgão requereu a suspensão de novas contratações de motoristas até que a empresa dona do aplicativo adote mecanismos eficazes, com regularização de protocolos de segurança.

Esse caso é emblemático quando se fala na ausência de rigidez da Uber com aqueles que são escolhidos para trabalhar em nome da empresa, em uma atividade que o ponto de partida é a confiança do cliente naquele que está atrás do volante.

O motorista denunciado pelo MP carioca pegou uma CNH emprestada de um amigo, colou a sua foto no documento e apresentou à Uber, conseguindo assim ser habilitado para exercer a atividade. Simples para ele, mas com consequências desastrosas para a usuária da plataforma.

Em Anápolis, existe a promessa de regulamentação da atividade de motorista de aplicativo. Desde o início de 2017, a Companhia Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT) tem prometido enviar um projeto de lei para apreciação dos vereadores.

Até que sejam definidas as regras que darão mais segurança aos passageiros – e justiça tributária para uma categoria que também inclui taxistas – o anapolino vai utilizando um serviço que é preciso, às vezes, contar com a sorte. Isso porque em meio a pessoas honestas, há criminosos. Quem separa o joio do trigo hoje?

A resposta é ninguém. O máximo que acontece são os aplicativos tomarem providências depois do fato consumado. E o que se espera é que haja um conjunto de regras que filtre os escolhidos para trabalhar com a população – e em qualquer ramo de atividade, gente minimamente envolvida com o crime não tem chance.

Na semana passada, uma equipe da Força Tática da Polícia Militar fazia o patrulhamento na Avenida Sergio Túlio Jayme, no Conjunto Filostro Machado, quando suspeitou de três ocupantes de um veículo Peugeot prata. Os policiais sinalizaram para que o carro parasse, mas o condutor empreendeu fuga.

Foi preciso que alguns disparos fossem efetuados em direção ao veículo, na tentativa de acertar seus pneus, para que o condutor do Peugeot decidisse parar. Um dos homens desceu com uma pistola calibre 380 com 15 munições e foi rendido. No banco do outro ocupante, também detido, havia uma pistola calibre 9 mm com kit rajada contendo 30 munições.

Por fim, o terceiro ocupante do carro alegou desconhecer o que a dupla fazia e que era apenas um motorista do Uber. Sua conduta, claro, será investigada.

A dupla confessou que já tinha praticado homicídios e que, inclusive, estava se preparando para matar um homem naquela noite. Mas não foi só isso. Na casa de um dos presos a PM encontrou um carro que havia sido roubado de maneira violenta, com refém, outra pistola 380, maconha e cocaína.

Em entrevista à Rádio Manchester AM, o comandante do 3º CRPM, coronel Paulo Roberto, classificou o bando como perigoso e preparado para cometer diversos crimes na cidade. Questionado sobre o motorista do Uber, disse que embora ele não tenha antecedentes na Justiça, é preciso apurar os fatos, já que carregava armas em seu carro.

O ocorrido reacende o debate sobre a necessidade urgente de regularização do serviço de transporte por aplicativo em Anápolis. Não é o caso de impedir o trabalho das pessoas, mas sim não deixar que criminosos entrem no sistema. Do jeito que está, infelizmente, nos equilibramos na possibilidade de uma tragédia anunciada.

Armas, munições e drogas apreendidas na operação que começou em carro de aplicativo (Divulgação)

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