Conheça as medidas da Prefeitura de Anápolis para desafogar rede de urgência e emergência na saúde


||| Pacientes sem risco vão ter transporte à disposição para serem atendidos nas unidades básicas com horário estendido, que são a Abadia Lopes e do Parque Iracema; pelo menos 25% dos pacientes que procuram a UPA não são casos de urgência e emergência

DA REDAÇÃO

A Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Vila Esperança iniciou 2019 com uma média mensal de 14 mil atendimentos. O salto da demanda foi considerável, já que até dezembro do ano passado essa média não passava a marca de 8 mil pessoas.

Os fatores para essa mudança são vários. O Hospital de Urgências Dr. Henrique Santillo (Huana) vive uma crise, com o atraso nos repasses financeiros do governo estadual e o anúncio da Fasa que deixará a gestão da unidade. Há também o pico de casos de dengue e um crescimento no número de pacientes vindos de outras cidades para Anápolis.

Para desafogar a UPA, a Prefeitura de Anápolis preparou mudanças que começam a partir da triagem dos pacientes. Aqueles classificados com as cores azul ou verde, as mais baixas quando se fala em risco, serão chamados para ir até uma unidade básica de horário estendido. Um veículo levará esse paciente até o local do atendimento e o trará de volta, caso ele queira. Com isso, espera-se uma redução de 25% da demanda na UPA.

Diretores da Secretaria Municipal de Saúde explicaram as mudanças. Confira a seguir.

Eduardo Sardinha Diretor de Urgência e Emergência

O que acontece a partir do dia 1º de abril na rede de urgência e emergência, principalmente na UPA? Nós vamos estar com reforço a mais na UPA, com médicos trabalhando no serviço de triagem e classificação de risco. Pacientes classificados como verde e azul, vamos oferecer oportunidades para eles possam ser atendidos mais rapidamente, os encaminhando para unidades de horário estendido.

Essa medida reduz em que tamanho a fila de espera na UPA? Hoje 25% dos pacientes que procuram a UPA são classificados com as cores verde e azul. O local em que se pode realizar esse tipo de atendimento é na Estratégia Saúde da Família, em especial onde tem demanda livre, que é a Abadia e o Parque Iracema.

Como será feito esse procedimento? O paciente chega até a UPA, faz a ficha e passa por um médico, que irá classificá-lo. De acordo com a avaliação médica, vai ser definido se pode realizar o atendimento dentro da Estratégia Saúde da Família. Será disponibilizado um transporte da Saúde para esse paciente, para que ele seja levado na unidade de horário estendido e trazido de volta para a UPA ou local onde ele procurou primeiramente, se assim o paciente quiser. Vai ser uma opção para que o paciente verde e azul possa ser atendido mais rápido.

Essa medida é paliativa? É importante ressaltar que a questão primordial é que estamos propondo uma forma de trabalhar a educação continuada para que a população entenda que lá nessas unidades [básicas] temos profissionais para atender a demanda; e que lá, como não existe o paciente amarelo, laranja e vermelho, o tempo de espera vai ser o protocolado pelo sistema. Já na UPA sempre essas cores vão passar na frente da azul e verde.

O que são pacientes classificados com as cores azul e verde? São pacientes que vão retirar o ponto, trocar a sonda, fazer uma consulta rotineira, pedir um exame, trocar receita.

Em relação ao Huana. Algo foi resolvido? Após diálogo com o Estado, ele já reabriu as vagas e o problema foi resolvido através da comunicação.

Qual o prazo para a rede voltar ao normal? A demanda maior da UPA de porta de entrada não gera grande impacto, e sim os pacientes internados no Hospital Municipal, que é outro fato.

Pacientes de outros estados que procuram Anápolis: segue o mesmo procedimento? Sim. A porta de entrada do pronto-socorro não preconiza a apresentação do cartão do SUS. É importante ressaltar que na UPA, através de um monitoramento, observamos que houve aumento de pacientes de fora do estado de Goiás e também nos municípios do Entorno de Brasília, que não fazem parte da Regional Pirineus.

Érica Dias Diretora de Atenção Básica

Como funcionará o atendimento nas unidades Iracema e Abadia a partir das mudanças na UPA? É importante que o nosso paciente que é [classificado como] azul e verde procure a unidade de saúde mais próxima da sua casa. Se ele não sabe onde é, procure as unidades de horário estendido, que é a Iracema e a Abadia Lopes. Na dúvida procure o agente de saúde, a Estratégia Saúde da Família, que é a porta de entrada do nosso usuário.

Qual o tempo de espera nessas unidades básicas? Nessas unidades de horário estendido temos dois clínicos, enfermeiros e técnicos aptos e prontos, e com uma estrutura para atender nosso usuário azul e verde. Então o tempo de espera hoje nessas duas unidades leva uma média de 5 a 10 minutos. Temos estrutura de alta qualidade para essa baixa complexidade.

De que forma orientar o usuário para procurar primeiramente essas unidades? Vinculando o usuário ao agente comunitário de saúde. Hoje nossa rede é composta por 469 agentes comunitários de saúde, 44 unidades básicas e atualmente 74 equipes que levam cobertura a 51% da capacidade, ou seja, extremamente receptiva para nosso usuário. O nosso usuário precisa mudar a cultura, procurar nossas unidades e entender nosso funcionamento. Estamos à disposição para isso.

E os casos de dengue? Todos os casos de dengue têm porta aberta, independentemente da região em que a pessoa mora. Infelizmente o usuário prefere ir a UPA, esperar um tempo maior do que ir à nossa unidade básica. Na unidade ele é notificado, medicado, faz o exame no Hospital Municipal e tem o acompanhamento necessário. Esse é o protocolo, porque ele é um paciente verde ou azul.

E quem não quiser seguir para unidade básica e for paciente azul ou verde. Terá que esperar quanto tempo na UPA? Se não se dispuser a ir para esse atendimento, que é específico para essa classificação de risco, ele vai ficar provavelmente até quatro horas esperando. Dentro do protocolo são até seis horas esperando atendimento.

Veículos que serão usados para transporte de pacientes até as unidades básicas (Divulgação)

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