Prefeitura de Anápolis repassa R$ 600 mil para Santa Casa manter leitos de UTI


||| Dinheiro anunciado pelo prefeito Roberto Naves dá novo fôlego para instituição filantrópica, que vem sofrendo grave crise financeira porque gestão passada do governo estadual deixou de lhe fazer repasses durante 13 meses

FERNANDA MORAIS

Desde o início do mês de abril que a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis tem emitido alertas sobre o risco de fechamento dos leitos da sua UTI neonatal e pediátrica. O principal motivo: a impossibilidade de ela manter a estrutura sem receber a verba atrasada da gestão passada do governo estadual, referente a todo o ano de 2018.

Nesta sexta-feira (26.abr), representantes da entidade, que tem como mantenedora a Fundação de Assistência Social de Anápolis (Fasa), estiveram com o prefeito Roberto Naves (PTB).

Após o encontro, Naves autorizou repasse extra de R$ 600 mil à unidade de saúde, com a primeira parcela, correspondente a R$ 200 mil, a ser paga ainda nesta sexta-feira.

“Se por questões burocráticas não for feito o pagamento hoje, no máximo até a próxima segunda-feira [29.abr] o dinheiro estará na conta da Santa Casa”, garantiu o prefeito.

O restante do montante deverá ser repassado em quatro parcelas de R$ 100 mil. Para o prefeito, cabe também ao governo estadual fazer a parte dele e quitar os quase R$ 2 milhões que deve à Santa Casa. “Sei que o governador Ronaldo Caiado, que é anapolino, não vai se furtar desta responsabilidade”, acrescentou.

O diretor administrativo da Santa Casa, Cláudio Campos, defendeu a instituição como parte importante do sistema de saúde de Anápolis e de toda a região centro-norte de Goiás. Por isso, segundo ele, a responsabilidade com a sua manutenção precisa ser tripartite.

“União, Estado e Município. Somos o único hospital que tem em seu hall de serviços 30 leitos de UTIs que atendem unicamente pelo SUS e que abarca outros 61 municípios”, explicou o diretor.

Campos não classifica a falta dos repasses financeiros por parte do Estado como dívida, mas como uma demora na renovação do convênio com a Santa Casa em tempo hábil para evitar que o déficit de aproximadamente R$ 2 milhões inviabilizasse o funcionamento da estrutura de alta complexidade.

“Esse atendimento em alta complexidade é oneroso, precisa ser digno e humanizado. Mensalmente do repasse do governo estadual de R$ 429 mil, R$ 129 mil são utilizados pelas qualificações da UTI. Os demais R$ 300 mil custeiam a rede de serviço regionalizada como a maternidade e a emergência, além da Unacon responsável pelo suporte aos pacientes com câncer”, informou.

Prefeito Roberto Naves assina convênio para repasse de R$ 600 mil à Santa Casa (Renato Lopes/Dircom)

Caiado diz que pagará dívida do governo passado com Santa Casa e Hospital Evangélico só após uma auditoria

Também nesta sexta-feira o governador Ronaldo Caiado concedeu entrevista à Rádio Brasil Central, com a presença de veículos do interior. O repórter Lucivan Machado, da Rádio Manchester AM, questionou o mandatário sobre o atraso desses repasses.

Caiado foi perguntado sobre os pagamentos para a Santa Casa e para o Hospital Evangélico Goiano, que também mantém leitos de UTI atendendo pelo SUS. Ambos possuem verba para receber do ano de 2018, da gestão dos tucanos Marconi Perillo e José Eliton.

Como resposta, Caiado disse que essa situação é “realidade em cada um dos setores que seria discutido na entrevista”. “Na saúde, realmente o atraso com OSs [Organizações Sociais], mais medicamentos para os municípios, ultrapassa R$ 750 milhões”, completou.

O governador falou que as prefeituras não recebiam recursos há 13 meses, mas o repasse mensal de 2019, de responsabilidade da sua gestão, está sendo pago corretamente.

Segundo Caiado, o dinheiro da saúde acabou indo para pagar a folha de servidores. “Usavam todas as verbas de todas outras fontes para jogar em um caixa único, uma conta centralizadora para pagar aquilo que não podia pagar com aquela verba”.

O pagamento desses atrasos será precedido por uma auditoria. “Um encontro de contas para saber o que realmente foi feito”, justificou Caiado.

Em relação a Anápolis, o governador lembrou que há um chamamento público aberto para escolher a entidade que assumirá o Hospital de Urgências Dr. Henrique Santillo (Huana) no lugar da Fasa.

Caiado retomou a questão da ameaça de fechamento de leitos de UTI na Santa Casa e Hospital Evangélico.

“Lógico que nós não vamos deixar UTI alguma fechar. Pelo contrário, conseguimos abrir mais 10 leitos para atender o Hospital Materno Infantil [em Goiânia] e mais 50 leitos no Hugol [também na capital], para atender aquela situação que todos nós vimos [de morte de crianças sem socorro médico]. Desde o primeiro dia do meu governo que fui lá para dentro para salvar o Materno Infantil”, disse Caiado.

Por fim, o governador reforçou o atraso de 13 meses nos repasses, herdado da gestão passada, e explicou melhor o porquê da auditoria.

“Não é pagar o que eles apresentaram. Nós temos que fazer essa auditoria para pagar o que tem a receber, e ver se foi cumprido o que estava no contrato. Nós não podemos considerar, por exemplo, como um ato de cirurgia, cobrar por retiradas de pontos. Fez a cirurgia, tem a sutura, aí você não pode cobrar ao retirar o ponto, aceitar que isso seja colocado como um ato cirúrgico. Tirar um ponto você tira em um ambulatório, em dois minutos. Essa auditoria está sendo feita para que possamos pagar o que foi realmente feito em termos de atendimento de saúde dentro das classificações e parâmetros de preço”, explicou o governador.

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