Pioneiro na industrialização goiana, capitão Waldyr O’Dwyer morre aos 102 anos em Anápolis


||| Waldyr era o último pracinha vivo da cidade. O oficial da reserva participou da campanha da Força Expedicionária Brasileira na Itália, na Segunda Guerra Mundial, com a Tomada de Monte Castelo em 1945

MARCOS VIEIRA

Morreu em Anápolis na manhã deste sábado (27.abr), aos 102 anos de idade, o capitão Waldyr O’Dwyer.

Último pracinha vivo residindo na cidade, o oficial da reserva participou da campanha da Força Expedicionária Brasileira na Itália, na Segunda Guerra Mundial.

Waldyr O’Dwyer esteve na épica Tomada de Monte Castelo, em 21 de fevereiro de 1945.

Recentemente ele participou da inauguração da reforma da Praça dos Expedicionários, na região central de Anápolis. Na ocasião, falou sobre sua trajetória no Exército brasileiro.

“Na verdade, não me considero um herói, mas alguém que cumpriu seu dever. Assim é o Exército. Ele não escolhe a missão, ele a cumpre. Ao sair do serviço ativo e me dedicar a outras atividades, sempre procurei pautar minha vida por esses ideais”, disse o capitão.

Em reportagem do Jornal Opção de 28 de janeiro de 2017, escrita pelo jornalista Marcos Nunes Carreiro, Waldyr falou sobre a entrada no Exército e sua participação na guerra.

Ele tinha 28 anos de idade quando partiu para a Itália. “Fui para a Itália porque quis; fui como voluntário. Tinha um espírito de aventura e achava que a guerra seria interessante”, afirmou o capitão.

Após se formar na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de janeiro e já pronto para exercer a profissão, Waldyr O’Dwyer foi declarado aspirante a oficial, pois tinha feito também o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército.

Ele contou ao jornal que logo foi promovido a segundo-tenente no 1º R.I. e se integrou em definitivo ao Exército. “Fui convocado como aspirante e depois promovido. Então veio a guerra”. Waldyr contou que houve um chamamento de oficiais, como voluntários, durante a formação da FEB, e ele se voluntariou.

Quando voltou ao Brasil, Waldyr decidiu ir para o 6º BC, que estava aquartelado em Santos (SP), mas que na verdade tinha sede em Ipameri. Foi a partir daí que começou a trajetória desse carioca em solo goiano.

Na cidade conheceu a esposa, Hertha Layser, e acabou indo para a reserva quando lhe comunicaram uma transferência para São Paulo. O capitão, então, conseguiu um cargo de diretor das Indústrias Reunidas Santa Cruz, que tinha charqueada, curtume e fábrica de calçados. Deixou a vida militar e passou para a vida empresarial.

Em 1959, adquiriu com outros investidores o Frigorífico de Goiás (Frigoiás), em Anápolis. Mudou-se então com a família para a cidade. Em 1963, associado à cunhada Leda Leyser e aos empresários Virgílio de Barros Monteiro e Juarez Machado, fundou a Anadiesel, que se expandiu com filiais em Goiás e Tocantins.

Waldyr O´Dwyer teve uma atuação intensa no classismo. Foi um dos fundadores do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados do Estado de Goiás; do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Anápolis e do Sindicato Rural de Anápolis.

Decano da Fieg, o capitão foi conselheiro do Senai e, em várias gestões, integrou a diretoria da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia).

Waldyr O´Dwyer esteve presente em momentos importantes da história da industrialização de Goiás. Presidiu o Núcleo Regional da Fieg de 1999 a 2011. Ocupava o cargo de presidente de honra da entidade.

O filho do capitão, William O´Dwyer, foi secretário de Estado na área da indústria e comércio.

Capitão Waldyr lutou na guerra, mudou-se para Goiás e construiu uma sólida carreira empresarial, com presença ativa em entidades classistas, de defesa da industrialização goiana

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