Problema não é só terminar a obra da Câmara, mas quanto custará a manutenção de um prédio com água a


||| Ministério Público quer levantamento do custo mensal do prédio da Câmara caso obra seja concluída, já que água aflora do solo a 40 centímetros de profundidade. Prefeito Roberto Naves só tomará decisão depois desse relatório técnico

FERNANDA MORAIS

O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou que a Prefeitura de Anápolis levante os custos mensais de manutenção da nova sede da Câmara Municipal, para avaliar se a obra compensa ser concluída.

Como o prédio foi erguido em um terreno com lençol freático em nível mais raso, a água aflora a menos de 40 centímetros do solo. Com isso, observaram os técnicos do MPGO, caso a opção seja pela conclusão da obra, é preciso levar em conta que essa característica gerará um custo sem fim aos cofres públicos.

Além da necessidade de uma bomba ligada 24 horas por dia para jogar a água que aflora em um curso d’água próximo, provavelmente o Ribeirão das Antas, será preciso monitoramento frequente das fundações do prédio.

Esse trabalho pós-obra é calculado inicialmente como algo caro. Por exemplo: mesmo que o elevador saia do térreo, o seu fosso deverá ser inspecionado por engenheiros, inclusive com sensores ativos devido ao afloramento constante da água.

Essa mesma água tornará a estrutura insalubre, como já ocorre no prédio antigo, cujas paredes apresentam bolor e necessitam ser pintadas frequentemente.

Em reunião do prefeito Roberto Naves (PTB) e do presidente da Câmara Municipal, Leandro Ribeiro (PTB), com a promotora de Justiça Sandra Mara Garbelini, ficou estabelecido um prazo para esse levantamento.

“Nosso perito técnico diz que para subsidiar a decisão do prefeito de retomada ou não dessa obra, que ele tenha uma análise do custo financeiro do prédio para o poder público não só agora, na fase da obra, mas também para sua manutenção, daqui a décadas”, frisou a promotora Sandra Mara.

Roberto Naves lembrou que não se trata de uma decisão pessoal, mas técnica, respeitando o dinheiro público. Segundo o prefeito, na concepção dos técnicos do MPGO a estrutura inacabada é inviável, mas cabe ao gestor dar a palavra final.

Com isso, será contratada uma universidade pública que possa fazer o levantamento do custo pós-obra, levando em conta o lençol freático aflorado. O prefeito quer saber também qual será a vida útil de um prédio construído em um brejo.

O presidente Leandro Ribeiro disse que os vereadores aguardam a decisão do prefeito, que segundo ele é delicada, pois exige embasamento técnico. “A população é a mais interessada nesse assunto, pois caso optem pela implosão do prédio, as pessoas querem saber quem irá ressarcir os cofres públicos do que já foi gasto na obra até agora”, completou.

Uma comissão da prefeitura estimou no final do ano passado que são precisos R$ 12,7 milhões para conclusão da nova sede da Câmara Municipal.

A obra, que está parada desde junho de 2016, já utilizou R$ 7 milhões dos R$ 17 milhões previstos na primeira licitação. Ou seja, somando o valor previsto para a retomada com o valor já gasto no primeiro momento, estima-se que a obra custará quase R$ 20 milhões de reais para a administração municipal.

Uma decisão pela demolição da obra inacabada atinge também o prédio antigo da Câmara Municipal. Ou seja, o Poder Legislativo teria que encontrar outro lugar para vereadores e servidores. (Colaborou Lucivan Machado)

Prédio inacabado, cuja obra foi paralisada em 2016, virou um problema para atual gestão (Marcos Vieira)

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