Falta de manutenção e desrespeito às leis: rodovias da morte em Anápolis


||| Perímetro urbano das BRs registram acidentes de maneira frequente, com diversos casos de vítimas fatais; falta maior atenção do Dnit para a BR-153 e BR-414 e também as intervenções clamadas pela cidade na BR-060, de responsabilidade da Triunfo Concebra

MARCOS VIEIRA

O Corpo de Bombeiros de Anápolis atendeu 86 ocorrências no perímetro urbano das rodovias federais BR-153, BR-060 e BR-414. Os dados se referem a 1º de maio de 2018 a 31 de maio de 2019.

O relatório foi apresentado na terça-feira (11.jun) na Câmara Municipal pelo vereador Pastor Elias Ferreira (PSDB), que tem cobrado dos responsáveis algumas intervenções no trecho.

Ele promete ir ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para pedir iluminação no perímetro urbano, passarelas, redutores de velocidade e outros dispositivos que podem impactar na redução de acidentes.

A BR-060 é uma concessão da Triunfo Concebra, que deixou Anápolis entre duas praças de pedágio, em Alexânia e Goianápolis, mas que já afirmou que qualquer obra de melhoria só será feita depois da revisão quinquenal do seu contrato por parte do governo federal.

Já a BR-153 vive situação de calamidade. A via foi entregue em leilão para a Galvão Engenharia em 2014, mas a empresa que estava implicada com a operação Lava Jato nada fez no trecho que começa em Anápolis e vai até Aliança do Tocantins (TO).

Em 2017, foi declarada a caducidade da concessão e o Dnit retomou o trecho. Recentemente a EPL (Empresa de Planejamento e Logística) concluiu os estudos de viabilidade para o leilão do mesmo trecho, mas sugerindo ao governo que inclua na concessão as BR-414 e BR-080, ambas em Goiás.

No relatório do 3º Batalhão Bombeiro Militar (3º BBM) entregue ao vereador, é possível identificar ao menos seis acidentes no trecho próximo ao clube Lírios do Campo, na BR-153.

O local é alvo frequente de capotamentos. Em um deles, no dia 27 de maio, morreu a professora universitária Cynthia Marques, de 38 anos de idade. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, ela perdeu o controle de direção, saiu da pista, capotou o veículo, atravessou a via lateral e foi parar na faixa de domínio da via.

Ainda de acordo com relato da PRF, durante a capotagem, a professora foi arremessada para fora do veículo. Ela não usava cinto de segurança. Com o impacto, ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

O trecho da BR-153 entre o viaduto Miguel Moreira Braga e a entrada da Vila Jaiara é bastante complicado, reitera a PRF. Há um grande fluxo de veículos, pois muitos anapolinos utilizam a rodovia para ir de um extremo ao outro da cidade sem pegar congestionamento, aliado ao excesso de velocidade.

Em conversa com a reportagem, o inspetor Luciano Clemente explicou que a PRF faz operações frequentes na via, com uso de radar móvel, mas é preciso outras medidas por parte do Dnit.

“É preciso reiterar que o trecho carece de que seja feita uma análise do Dnit para a instalação de barreiras ou radares fixos, pois a PRF não consegue estar lá o dia inteiro”, comentou.

Em seu discurso na tribuna, o vereador Pastor Elias explicou que o levantamento do Corpo de Bombeiros poderia ter dados mais alarmantes. “O relatório não soma os resgates nas vias laterais, que segundo o comandante do 3º BBM, tenente-coronel Ricardo Silveira Duarte, faria esse número quadruplicar”.

O vereador informou ainda que aguarda também os dados mais apurados da BR-060, que serão repassados a ele pela concessionária Triunfo Concebra, responsável por grande parte dos resgates nessa rodovia.

Acidente na BR-153 em Anápolis que vitimou uma professora universitária (Divulgação/PRF)

#acidente #br153 #br060 #br414 #dnit #prf #anápolis