#Opinião: Pinóquio togado, por Jessica Bonach


Não bastasse um Pinóquio togado, ele queria ser ministro, mas para isso precisava de um mito. Moro mentiu, mentiu, mentiu e mentiu. Agora o nariz não passa nem pela porta.

Esse Pinóquio brasileiro não foi entalhado por uma, mas por várias pessoas, um povo sedento, ensandecido por “justiça”, por um país melhor, diziam eles, pelo fim da corrupção e roubalheira, por uma reforma política, pela limpeza do Congresso Nacional, pelo medo que nosso tão querido país fosse assolado por doutrinas comunistas e fome (como se ela já não existisse), uma nova Venezuela, “é isso que vocês querem?” perguntavam os mais nobres cidadãos que já existiram nessa nação.

Sim, essas pessoas são as mesmas que ajudaram nosso Pinóquio a ganhar vida, que por vez foi ficando mais ganancioso, já não lhe bastava o título de justiceiro da nação, ele queria mais, pois a já histérica população clamava por mais, justiça que havia que ser feita, cumprida, sem que importasse os meios ou mesmo a convicção de provas. Como duas boas alcoviteiras, Moro e Dallagnol trocaram informações, nudes, conselhos, testemunhas, até que finalmente a trama estava pronta. O resto já é de conhecimento, não vale a pena perder tempo.

Já dizia o código de ética da magistratura: “o magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes (acusação e defesa), e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito”.

O favoritismo aqui foi a última coisa a ser evitada, a suspeição nem se fala.

Daí vocês procurem o significado de parcialidade no dicionário.

Dizem que a justiça é cega. Num país governado por um palhaço, a justiça nunca teve os olhos tão abertos.

Jessica Bonach trabalha em cartório, mas é escritora.

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