Dia da Consciência Negra: audiência debate políticas de igualdade racial


||| Ativistas ressaltam importância de se juntar esforços para criação em Anápolis do Conselho de Promoção de Igualdade Racial, que pode garantir verbas para políticas públicas em órgãos federais

MARCOS VIEIRA

A Câmara Municipal abriu a semana em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra (20.nov) com uma audiência pública em que se debateu políticas de igualdade racial, além de prestar homenagens a ícones do movimento em Anápolis.

O evento foi uma iniciativa do presidente Leandro Ribeiro (PTB) e lotou o plenário Teotônio Vilela na noite de segunda-feira (18.nov), com direito a apresentação da Escola de Capoeira Angola Flor da Gente e discursos de diferentes lideranças negras da cidade.

Leandro se comprometeu a lutar pelas causas apresentadas pelos ativistas, como a busca de recursos em Brasília para projetos de igualdade racial. Segundo Lehi Souto, militante, existem verbas federais que podem ser angariadas a partir da criação na cidade do Conselho de Igualdade Racial.

“Assumo esse compromisso de somar esforços para que essas políticas públicas aconteçam de forma integral em Anápolis”, explicou o presidente da Câmara. Antes, em seu discurso de abertura, Leandro rechaçou episódios recentes de racismo no esporte e disse que esse tipo de comportamento é ainda mais inadmissível nos dias de hoje, quando o que se espera é a integração das pessoas.

A secretária municipal de Cultura, Eva Cordeiro, também fez um discurso condenando qualquer tipo de preconceito. Ela citou frase da filósofa Angela Yvonne Davis: “numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”.

Eva lembrou que o Legislativo é a “casa do povo” e, portanto, era fundamental a iniciativa do presidente em abrir as portas para receber personalidades simbólicas do movimento negro. Quanto às homenagens, a secretária afirmou ser pouco diante de todas as lutas travadas por aquelas pessoas ao longo dos anos.

Os discursos ao longo da audiência pública levantaram diferentes temas.

Para Simei Silva Pereira Lacerda, o país necessita de políticas públicas afirmativas para os negros, como as cotas nas universidades. “E a discussão aqui não é em relação à capacidade do negro, pois ele é capaz, mas sim colocar em prática mecanismos que compensam o que foi tirado dessa parcela da população ao longo dos anos”.

A poetisa Izildinha Aparecida Almeida Porto contou que vive há 40 anos em Anápolis e foi a primeira vez que ela foi chamada à Câmara Municipal para debater o movimento negro e, além disso, ser homenageada. Ela leu na tribuna um poema de sua autoria, ‘Orgulho Negro’.

Juliana Santos, do Coletivo Afro Cerrado, disse que ao ter momento de fala na “casa do povo”, era importante enfatizar as dificuldades do negro, reafirmar que racismo é crime e lembrar que a luta “ainda está só no começo”.

Outra militante, Loyde Oliveira Silva, reforçou que a luta por igualdade ecoe nos corredores da Câmara e chegue a todos os representantes eleitos. Ela pediu palmas para dados divulgados recentemente pelo IBGE, de que pretos e pardos são maioria em universidades públicas.

Mestres da capoeira, como Tuísca e Zulu, falaram sobre o trabalho social aliado ao esporte. Um deles, o Zulu, ou Evandro Assis Silva, disse que todos ali eram descendentes de Zumbi dos Palmares.

O Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, relembra justamente a morte de Zumbi, em 1695, considerado um dos maiores líderes negros do Brasil, símbolo da luta contra o regime escravocrata.

Os homenageados:

Aldemir Alves dos Santos (Sergipano / Capoeira) Ana Luisa Assunção Pinto (Coletivo Afro Cerrado) Carlos Antônio dos Reis (Mestre Tuísca) Cláudio Lopes da Silva / Diamante (Mestre de Capoeira) Danilo Boaventura (jornalista) Delcimar Fortunato (Empresário) Erley Fernandes (Pastor evangélico) Evandro Assis Silva (Zulu) (Capoeira) Izildinha Aparecida Almeida Porto (Escritora) José Francisco Cardoso (Aberre) Juliana Soares de Lima (Coletivo Afro Cerrado) Larissa dos Santos Martins (CEU Jardim Alvorada) Loyde Oliveira Silva (Militante da causa negra) Lorena Borges Silva (UEG) Luciano Paulino de Morais (Ragaluke – Hip Hop) Maria Aparecida Silva (Servidora Pública) Monalisa Dutra de Oliveira (Mamães de Anápolis) Nowhah Luíza de Freitas (Produtora Cultural) Odilon Santos (Ensino Superior) Reinaldo de Souza e Silva (Fotógrafo) Rimet Jules Gomes Teixeira (advogado / militante) Simei Silva Pereira de Lacerda (Unievangélica)

Juliana Soares de Lima, do Coletivo Afro Cerrado, discursa na audiência pública (Ismael Vieira/CMA)

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