#Opinião | Animais silvestres, nossa saúde e o surto de coronavírus


||| Leia artigo escrito por médica veterinária de Anápolis sobre surto de coronavírus surgido a partir da China, o cenário brasileiro para a doença e os cuidados que todos devem tomar para evitar risco de contaminação

ELISÂNGELA DE ALBUQUERQUE SOBREIRA

Recentemente, o Ministério da Saúde classificou o Brasil como nível 2, que significa risco iminente para coronavírus 2019-nCoV. O motivo foi o surgimento de dois novos casos suspeitos na Região Sul do país. Atualmente, há nove casos suspeitos no país, de acordo com informação do Ministério da Saúde divulgada dia 29 de janeiro. O primeiro caso foi de uma jovem de Minas Gerais que havia retornado da China apresentando os sintomas dessa zoonose.

Desde o início de janeiro de 2020, as autoridades nacionais na China relataram um número crescente de casos confirmados de infecção por um novo coronavírus (chamado 2019-nCoV), em um surto centrado na cidade de Wuhan, província de Hubei. O número de mortes também tem aumentado: até quarta-feira (28.jan), a Organização Mundial de Saúde confirmou 132 óbitos, com 6.065 casos no mundo.

Além da China, já há registros da doença na Tailândia, Japão, Malásia, Cingapura, Austrália, Estados Unidos, França, Alemanha, Finlândia, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Camboja, Nepal, Vietnã, Canadá e Sri Lanka.

Os coronavírus formam uma grande família de vírus, alguns causando doenças em pessoas e outros que circulam entre os animais, incluindo camelos, gatos, serpentes, peixes, aves e morcegos. Raramente os coronavírus animais podem infectar pessoas e depois se espalhar entre elas, mas os relatórios iniciais teriam indicado que a maioria dos primeiros doentes teriam se infectado após frequentar um mercado de frutos do mar e animais vivos de Wuhan, sugerindo que o local seja a fonte zoonótica para esse surto.

É necessária uma investigação mais aprofundada para avaliar o modo de transmissão, o risco de transmissão de homem para homem, as fontes comuns de exposição animal ou ambiental e se há casos não-assintomáticos ou levemente sintomáticos não detectados. Onde a transmissão homem a homem ocorre, ela se dá provavelmente através do contato direto com gotículas respiratórias e objetos contaminados.

A duração da infectividade para o coronavírus 2019-nCoV é desconhecida. As precauções de controle de infecção devem ser aplicadas ao longo de qualquer admissão e precauções adicionais de isolamento (contato e no ar) devem ser continuadas até 24 horas após o desaparecimento dos sintomas.

Existe pouca informação disponível sobre a disseminação viral e o potencial de transmissão do 2019-nCoV. Testes para detectar o vírus podem ser necessários para informar a tomada de decisão sobre infecciosidade. As informações do paciente como idade, status imunológico e medicação também devem ser consideradas.

Os sintomas de 2019-nCoV podem aparecer em apenas dois dias ou até 14 horas após a exposição. São eles: febre, tosse, falta de ar e infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia de tórax.

Não há tratamento antiviral específico recomendado para a infecção 2019-nCoV. As pessoas infectadas devem receber cuidados de suporte para ajudar a aliviar os sintomas. Para os casos mais graves, o tratamento deve incluir ações para apoiar as funções vitais dos órgãos. Qualquer suspeita de haver entrado em contato com o vírus deve ser informada para a rede de saúde.

Não existe vacina para prevenir a infecção por 2019-nCoV. A melhor maneira de prevenir a infecção é evitar ser exposto a esse vírus. No entanto, como ações preventivas diárias para ajudar a impedir a propagação de vírus, devemos lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos. Se não houver água e sabão, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool e evite tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.

Também se deve evitar contato próximo com pessoas doentes, ficar em casa quando estiver doente. cobrir sua tosse ou espirros com um lenço de papel (que deve ser jogado no lixo), limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência. Esses são hábitos cotidianos que podem ajudar a impedir a propagação de vários vírus, dentre eles, o coronavírus 2019-nCoV.

Elisângela de Albuquerque Sobreira é médica veterinária, mestre em Ecologia e Evolução pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutora em Animais Selvagens pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu). Já foi Gerente do Centro de Controle de Zoonoses de Anápolis. Fundou e mantém o Centro Voluntário de Reabilitação de Animais Selvagens (Cevas)

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