Em ano eleitoral, embates entre vereadores ficam mais intensos


||| As primeiras sessões do ano mostraram que oposição e situação vão rivalizar em todas as área da administração pública. Essa semana foi repleta de troca de farpas, o que confirma a tradicional tensão pré-eleitoral

DA REDAÇÃO

As nove primeiras sessões ordinárias de 2020 na Câmara Municipal de Anápolis tiveram bem mais embates do que praticamente todo o segundo semestre do ano passado. E o motivo é um só: estamos em período pré-eleitoral e a partir de agora, até o dia da votação, em 4 de outubro, qualquer gesto provoca uma reação, às vezes até mais intensa do que a própria ação de origem.

O que se observa no Legislativo é o que se espera na campanha: a polarização entre o prefeito Roberto Naves (PP), candidato à reeleição, e o PT, que tem até agora como pré-candidato o deputado estadual Antônio Gomide.

Essa semana no plenário Teotônio Vilela foi um claro indício de que os dois grupos vão se confrontar o tempo todo.

Na segunda-feira (17.fev), a vereadora Professora Geli (PT) mencionou a paralisação de alerta dos professores para o dia seguinte, pois a categoria reivindica reposição que garantiria o piso nacional. Foi frontalmente rebatida pelos dois principais defensores da gestão municipal, Domingos Paula (PV) e o líder do prefeito, Wederson Lopes (PSC).

Os vereadores argumentaram que há ainda uma negociação em andamento. Domingos questionou o fato dos professores estarem com o salário em dia, portanto não haveria motivo para que os professores saíssem às ruas, deixando crianças sem aula.

A troca de acusações que se seguiu depois disso já ficou famosa nas redes sociais. Geli acusou Domingos de não saber interpretar um discurso. O vereador rebateu e argumentou que a deficiência era culpa dela, sua professora na infância. A vereadora, então, disse que nunca havia dado aula a Domingos, foi somente diretora na escola em que ele “fugiu”.

Na terça-feira (18.fev), o embate foi na área da saúde. Deusmar Japão (PSL) subiu à tribuna – coisa rara, pois ele quase não discursa – para fazer uma série de elogios ao trabalho da prefeitura nessa área. O vereador caprichou nos adjetivos.

Dessa vez, foi a vez de Luiz Lacerda (PT) questionar o colega. “Precisa de mais responsabilidade. Não podemos usar a tribuna de forma irresponsável, apenas porque apoiamos a administração e queremos fazer média com o prefeito”, afirmou o petista.

Na quarta-feira (19.fev), o vereador Alfredo Landim (PT) disse na tribuna que os cortes do Bolsa Família promovidos pelo governo federal estão resultando no crescimento da extrema pobreza, e em Anápolis já há famílias passando necessidade.

Domingos Paula rebateu dizendo que Anápolis é referência em assistência social e que prova disso é o Arraiana, cujas apresentações artísticas geram a arrecadação de alimentos para a formação de cestas básicas distribuídas aos mais carentes.

O vereador do PV aproveitou para criticar o PT no governo federal. Segundo ele, a sigla utilizou o Bolsa Família para desviar recursos financeiros, “porque na realidade quem precisa [da ajuda] não ganhou”. “Da mesma forma, muita gente que precisava foi contemplada pelo Minha Casa Minha Vida, mas muita gente também não foi atendida”, completou.

Vereador Mauro Severiano discursa na tribuna da Câmara na quarta, 19.fev (Foto: Ismael Vieira)

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