“Não adianta esperar a vacina para agora”, diz médico infectologista


||| Segundo Marcelo Daher, momento é de isolamento social para conter o avanço da doença. Quanto aos medicamentos, ele diz que a ciência tem avançado rápido, algo inédito na história da medicina

FERNANDA MORAIS

O médico infectologista Marcelo Daher, de Anápolis, conversou com a nossa reportagem por e-mail. Ele fala sobre o coronavírus e diz que a epidemia deve durar um tempo razoável. Leia a seguir.

Como o senhor analisa as medidas dos governos visando o isolamento das pessoas? As medidas que o Governo de Goiás e a Prefeitura de Anápolis têm tomado são as ações que foram adotadas internacionalmente. A maioria dos países está agindo semelhante ao que acontece em nosso Estado. O objetivo é diminuir a circulação de pessoas como forma de conter o avanço rápido da doença. O isolamento social visa diminuir a curva de contato com o vírus para que a incidência da doença não seja rápida, para que as medidas de recuperação do paciente sejam tomadas a tempo.

Especialistas afirmam que essa crise deve durar até quatro meses. É isso? A epidemia deve durar um tempo razoável. As medidas de isolamento social fazem com que a epidemia dure mais tempo. É complicado porque com todo mundo em contato, a epidemia tende a durar menos tempo, porém, o problema é que sobrecarrega o sistema de saúde. Se criamos um bloqueio, a epidemia pode até durar mais tempo, mas de maneira menos preocupante de modo a socorrer com maior eficiência os infectados.

O vírus atinge mais os idosos, mas é preciso se preocupar com todos? Não é que afeta mais idosos. Ele acomete de maneira mais grave os idosos, mas todas as faixas etárias se contagiam com o vírus de maneira igual. Agora os idosos, principalmente com outras patologias, realmente tem o problema da evolução da doença de maneira mais grave. Já temos relatos de mortes de jovens e de crianças, a questão é que a frequência desses óbitos é menor. Em idosos acima de 80 anos, por exemplo, a mortalidade chega a 14%. Para o jovem é menos que 1%.

O senhor acredita em uma vacina em quanto tempo? A vacina vai demorar a sair. É coisa para um ou dois anos provavelmente. Não adianta esperar a vacina para agora. De imediato não vai resolver o problema.

Por que é tão difícil descobrir o remédio que ajuda na cura do coronavírus? Medicamentos estão sendo testados, vários. Alguns com sucesso. Estamos falando de uma doença descrita há quatro meses, em dezembro de 2019, e já temos medicamentos capazes de serem utilizados com sucesso. Isso é inédito. A medicina está correndo atrás e conseguindo, a contento, descobrir meios de tratar a doença mais rápido. Vamos lembrar que para a gripe, que é conhecida há séculos, o medicamento surgiu e foi liberado apenas em meados do ano 2000. Então em relação ao coronavírus, a coisa está avançando, o conhecimento está avançando visando a saúde e a recuperação mais rápida das pessoas afetadas.

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