Vereador defende uso da cloroquina e diz que “gente que não sabe de nada fica falando asneiras”


||| Lélio Alvarenga argumentou na tribuna da Câmara Municipal de Anápolis: “se temos medicamento que mesmo não comprovado cientificamente, tem se comprovado no dia a dia, por que não usar?”

DA REDAÇÃO

O vereador Lélio Alvarenga (PSC) disse nesta segunda-feira (13.abr), que governadores querem “crucificar” o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela pandemia de coronavírus, mas eles precisam ser “chamados à responsabilidade”, pois não cancelaram o carnaval visando apenas o lucro.

“Claro que [o coronavírus] entraria [no país], mas com muito mais lentidão do que estamos vivendo hoje”, justificou o vereador. Ele comentou que na época subiu à tribuna para alertar que o carnaval prejudicaria o Brasil, mas as “pessoas não se atentaram para isso”.

Lélio também defendeu o uso da cloroquina para tratamento de doentes de Covid-19, assim como tem feito Bolsonaro. Segundo o vereador, o presidente está querendo colocar a droga em uso, mas a comunidade científica está dividida.

“Quero dizer como profissional da saúde, [pois] fiz farmacologia, farmacocinética e farmacodinâmica: se temos medicamento que mesmo não comprovado cientificamente, tem se comprovado no dia a dia, por que não usar?”, argumentou o vereador.

Lélio é biomédico. Ele afirmou que enquanto não conseguem um medicamento para tratar a Covid-19, que se utilize a cloroquina nos pacientes mais graves. Segundo o vereador, os efeitos colaterais ocorrem mais naqueles pacientes que possuem alguma intolerância à substância.

Lélio criticou quem não conhece o assunto, mas que dá opinião. “Gente que não sabe de nada fica falando asneiras, só questões politiqueiras. Deus queira que possamos encontrar um remédio, pois estamos longe do fim dessa pandemia”.

Em entrevista à Folha de S. Paulo no final de semana, a médica anapolina Ludhmila Abrahão Hajjar, cardiologista e intensivista, integrante de grupos de pesquisadores que tem estudado a eficácia e segurança da cloroquina, disse que a substância está sendo vista “como salvadora, mas não é”.

“Cloroquina não é vacina. Está sendo vista como salvadora, e não é. Mas se você fala isso, já começa a apanhar porque virou uma questão nacional de pressão. Mas a realidade científica é essa, não tem evidência”, disse a médica e professora do InCor (Instituto do Coração).

Ludhmila Hajjar esteve recentemente em Anápolis para conhecer o sistema montado na saúde local para lidar com a pandemia do coronavírus. Desde então, ela tem mantido contato com o prefeito Roberto Naves (PP), para informar de estudos e metodologias para combater a doença.

A médica anapolina fez parte de comissão de especialistas que se reuniu com presidente há duas semanas para discutir a cloroquina. Bolsonaro ouviu deles sobre a falta de evidência da droga, porém, seguiu defendendo o seu uso.

Questionada pela Folha de S. Paulo se a cloroquina pode trazer riscos à saúde, Ludhmila Hajjar afirmou que “os efeitos adversos não são desprezíveis”.

“Quando a pessoa está com o coração normal é mais difícil que a arritmia aconteça. Mas a gente tem que lembrar que até 40% dos pacientes infectados pela Covid-19 têm algum tipo de injúria ao sistema cardiovascular. É possível que no meio da infecção o sistema vascular fique exposto, fique mais suscetível ao efeito colateral dessa medicação”, explicou Ludhmila.

“Nós temos visto isso aqui em São Paulo, os franceses relataram mais de 30 casos de pessoas que tiveram problemas graves com essas drogas, e as autoridades de lá reforçaram a condição de ela ser usada apenas em ambiente hospitalar. Tanto a cloroquina como a azitromicina podem induzir essa arritmia. A associação das duas torna-se isso ainda mais possível”, completou a médica.

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