Boletim Epidemiológico sugere distanciamento social seletivo em Anápolis


||| Documento analisa cenário até 21 de abril e pondera que relação entre número de casos e ocupação de leitos de UTI faz com que cidade possa ter em isolamento somente idosos e portadores de doenças que são agravantes em caso de Covid-19

MARCOS VIEIRA

A segunda edição do Boletim Epidemiológico da Covid-19, divulgado pela Secretaria de Saúde de Anápolis, mostra que aproximadamente 70% dos casos confirmados de contaminação com coronavírus na cidade são de pessoas entre 20 e 49 anos de idade. A faixa de risco, a partir dos 60 anos, tem o registro de 12% das confirmações.

O boletim analisa desde o início das notificações até o dia 21 de abril, quando a cidade somava 35 casos de Covid-19. O documento é assinado por profissionais do poder público e da Unievangélica.

A transmissão comunitária do coronavírus em Anápolis foi declarada pelas autoridades no dia 2 de abril, após identificação do primeiro caso autóctone, ou seja, quando o paciente adquire a doença na sua zona de residência.

Segundo o estudo, quase metade dos casos confirmados (49%) foram notificados nos primeiros 28 dias. A outra metade (51%) foram notificados nos últimos 7 dias, podendo representar o início da ascensão da curva de incidência nesse período recente.

Em uma análise por Semana Epidemiológica, a de número 16, que compreende os dias 12 a 18 de abril, teve um aumento de 260% nos casos em relação à semana anterior.

A incidência de casos por grupo de 100 mil habitantes mostra Anápolis (9,1) melhor que Goiânia (15,2) e o Brasil (19,3), mas pior que Goiás (6,2).

Em uma análise final, os profissionais afirmam que o fato de se ter declarado transmissão comunitária por caso autóctone na 3ª semana de investigação, no 5º caso notificado, quando ainda não havia sido registrada transmissão local, abre a possibilidade de que o coronavírus já estivesse circulando em Anápolis antes da primeira notificação.

“Além do mais, ressaltamos que desde o início das notificações, a metade dos casos foi notificada nesta última semana (SE16), podendo representar a ascensão da curva de incidência”, informa o boletim.

O documento diz ainda que é considerada alta a ameaça do fator extrínseco (epidemia pela Covid-19), porém baixa a vulnerabilidade pelo fator intrínseco do sistema de saúde, em relação ao número de pacientes com SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) internados em UTI.

“A interpretação desta análise permite classificar o município de Anápolis em baixo risco global para epidemia pela Covid-19 e a medida sugerida para controle da epidemia neste momento é o distanciamento social seletivo básico”, prossegue o texto.

O Ministério da Saúde havia recomendado que a partir do dia 13 de abril, os municípios e estados do país que não ultrapassaram o percentual de 50% de ocupação dos serviços de saúde, após a pandemia de coronavírus, poderiam iniciar uma transição para um formato onde apenas alguns grupos ficam em isolamento.

O distanciamento social seletivo estabelece que apenas alguns grupos ficam isolados, com atenção aos de maior risco de agravamento da doença, como idosos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, ou condições de risco, como obesidade e gestação de risco. Nestes casos, pessoas abaixo de 60 anos podem circular livremente, se estiverem assintomáticos.

É claro que essas pessoas autorizadas a circularem precisam ter cuidado redobrado se tiverem contato com o grupo de risco, para que a situação não fuja do controle.

Os profissionais finalizam afirmando que considerando a dinâmica da epidemia, que depende de adesão a medidas de prevenção individuais e coletivas, além de fatores como clima, sociedade, economia, conhecimento técnico-científico, político e ético, “os níveis de risco podem ser reclassificados e as ações modificadas ao longo do tempo”.

O Boletim Epidemiológico da Covid-19 de número 2 é assinado pela médica infectologista da Secretaria Municipal de Saúde, Déborah Mota, e a gerente de Vigilância Epidemiológica, enfermeira Mirlene Garcia Nascimento. Já por parte da Unievangélica, assinam os seguintes professores: Andréia Moreira da Silva Santos (farmacêutica-bioquímica), Viviane Soares (fisioterapeuta) e João Maurício Fernandes Souza (engenheiro agrícola).

Leia o documento na íntegra clicando aqui.

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