Alexandre Baldy é preso pela Polícia Federal na Operação Dardanários

Político de Goiás é atualmente secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo



DA REDAÇÃO


Um dos políticos de Goiás com maior ascensão no cenário nacional dos últimos anos, Alexandre Baldy (PP), foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (6.ago).


Ele é um dos alvos da Operação Dardanários, desdobramento de investigações da Lava Jato no Rio de Janeiro, que apura crimes na área da saúde.


Atualmente secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Baldy foi preso na capital paulista. A PF fez buscas em uma residência ligada ao político em Brasília e encontrou R$ 90 mil em dinheiro. Em um apartamento de Baldy em Goiânia foram encontrados outros R$ 110 mil.


Segundo o MPF (Ministério Público Federal), Baldy é um dos investigados por um “esquema que apura pagamento de vantagens indevidas a organização criminosa que negociava e intermediava contratos em diversas áreas”.


Ex-diretores da organização social Pró-Saúde afirmaram em colaboração premiada que agentes públicos recebiam propina para atuarem a favor da entidade. Para viabilizar o pagamento de valores não contabilizados, os gestores da organização social instituíram um esquema de geração de “caixa 2” na sede da Pró-Saúde, com o superfaturamento de contratos, custeados, em grande parte, pelos repasses feitos pelo Estado do Rio de Janeiro.


Os valores pagos pelo governo do Rio nos contratos representavam cerca de 50% do faturamento nacional da Pró-Saúde, que, de acordo com a Procuradoria, saltou de aproximadamente R$ 750 milhões em 2013, passando por R$ 1 bilhão em 2014 e chegando a R$ 1,5 bilhão em 2015.


PF e MPF investigam pagamentos do contrato de gestão do Hurso (Hospital de Urgência da Região Sudoeste), em Goiânia, que foi administrado pela Pró-Saúde entre 2010 e 2017.

“Com o sucesso da empreitada criminosa, os agentes prosseguiram intermediando os interesses dos ex-diretores da Pró-Saúde na obtenção de contratos de sua empresa recém-criada com outros órgãos da administração pública, mediante o pagamento de um percentual a título de vantagens indevidas”, afirma o MPF.


Os investigadores identificaram ainda a existência de um esquema de direcionamento de contratos da Juceg (Junta Comercial do Estado de Goiás) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), através da fundação de apoio Fiotec.


O ex-presidente da Juceg Rafael Lousa também foi preso na Operação Dardanários, em Goiânia. Outro preso, no Rio de Janeiro, foi o pesquisador da Fiocruz Guilherme Franco Neto.


Outro lado

Em nota, a assessoria de Comunicação de Alexandre Baldy diz que ele tem sua vida “pautada pelo trabalho, correção e retidão”. “Foi desnecessário e exagerado determinar uma prisão por supostos fatos de 2013, ocorridos em Goiás, dos quais Alexandre sequer participou”, diz o texto.


A assessoria afirma ainda que “Alexandre sempre esteve à disposição para esclarecer qualquer questão, jamais havendo sido questionado ou interrogado, com todos os seus bens declarados, inclusive os que são mencionados nesta situação”. “A medida é descabida e as providências para a sua revogação serão tomadas”, conclui a nota.


Trajetória

Antes de ser convidado pelo governador João Doria (PSDB) para assumir uma pasta em São Paulo, Baldy esteve no governo de Michel Temer (MDB): foi ministro das Cidades. Naquele momento ele era deputado federal, eleito em Goiás pelo PSDB em 2014.


No Congresso Nacional Baldy conseguiu projeção nacional. Filiou-se ao PTN e foi decisivo na mudança de roupagem do partido, que hoje é o Podemos. Em 2017 se filiou ao PP, assumindo o diretório estadual da sigla em Goiás.


Baldy começou sua carreira pública em 2011, quando aceitou o convite do então governador Marconi Perillo (PSDB) para a Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás.