Anápolis perde Adhemar Santillo, incansável defensor da democracia

Ex-prefeito de Anápolis faleceu vítima de sequelas provocadas pela Covid-19, doença que ele tinha contraído há quatro meses



DA REDAÇÃO


O ex-prefeito de Anápolis Adhemar Santillo morreu nesta terça-feira (9.mar), aos 81 anos de idade. Segundo a família, ele teve um mal súbito no último domingo (7.mar), em razão de sequelas provocadas pela Covid-19. Adhemar contraiu a doença há cerca de quatro meses. Recentemente tinha tomado a segunda dose da vacina contra o coronavírus.


Internado no Hospital Evangélico Goiano (HEG), o ex-prefeito foi vítima de insuficiência cardíaca, provocada por broncopneumonia.


Adhemar Santillo será velado e sepultado nesta quarta-feira (10.mar) no Memorial Parque. Devido às restrições impostas pela pandemia, o funeral será restrito apenas aos familiares.


Adhemar Santillo nasceu em 13 de novembro de 1939, em Ribeirão Preto, São Paulo. Filho de Virgínio e Elydia Maschietto Santillo, sua família chegou em solo goiano em março de 1943, pelo trem de passageiros, desembarcando em Anápolis, cidade escolhida para construir uma nova trajetória de vida.


Trabalhou desde muito jovem. Foi office boy, vendeu legumes em uma banca no Mercado Municipal e foi eletricista de automóveis. Tornou-se líder estudantil no Colégio Estadual José Ludovico de Almeida, na presidência do Grêmio Literário Castro Alves. Também foi presidente da UESA, União dos Estudantes Secundaristas de Anápolis, mas não terminou o mandato, afastado após a instalação do Regime Militar de 1964.


A partir daí, ao lado dos irmãos Henrique e Romualdo, Adhemar Santillo deu início à incansável luta pela redemocratização do Brasil. Combateu a opressão do regime com coragem e não descansou um único dia no propósito de ver o povo anapolino retomar seu direito de votar, que havia sido cassado pela Ditadura, tornando a cidade área de segurança nacional.


Adhemar exerceu mandato de deputado estadual entre 1971 e 1974. Em novembro de 1974 elegeu-se deputado federal, tomando posse no ano seguinte, sendo eleito mais duas vezes para o cargo, permanecendo em Brasília até 1987.


Adhemar fez parte no Congresso Nacional do grupo de deputados conhecido como “Os autênticos do MDB”, que teve um papel de destaque na resistência do parlamento contra a Ditadura Militar.


Em março de 1979, apresentou um projeto de lei propondo a revogação da lei que criou o Serviço Nacional de Informações, por se tratar segundo ele de uma polícia política. Pressionou o governo por um novo pacto social, legítimo e efetivo, através de uma Assembleia Constituinte. Adhemar Santillo defendeu a revogação de todos os atos de exceção, a liberdade sindical, a liberdade de imprensa e a organização partidária, enfim, o restabelecimento pleno do estado de direito que permitiria ao povo expressar livremente a sua vontade.


Entre 1983 e 1985, Adhemar foi secretário estadual de Educação, na gestão de Iris Rezende.


Ainda em 1985, no mês de novembro, foi eleito o primeiro prefeito de Anápolis pelo voto direto quando a cidade reconquistou o direito de escolher o chefe do Executivo nas urnas. Exerceu mandato de prefeito da cidade entre 1997 e 2000.


Como radialista, exerceu papel fundamental na imprensa goiana. Teve passagem pela crônica esportiva, sendo, inclusive, narrador de futebol na rádio Carajá. Também escreveu para diversos jornais, publicou livros e crônicas em diferentes plataformas.


Proprietário da Rádio Manchester, abriu espaço para o jornalismo imparcial, dando respaldo para que os profissionais da emissora exercessem a profissão com total liberdade, pautados pela ética e compromisso com a verdade. Todas as manhãs, na apresentação do “Notícias da Manchester”, Adhemar falava direto com o ouvinte, fazendo uma leitura clara dos acontecimentos do dia, para que cada um formasse a sua própria opinião acerca dos fatos do cotidiano.


Casado com Onaide Silva Santillo, Adhemar construiu com bases sólidas a sua família, formada pelos filhos André Luiz, Luiz Augusto e Cláudio.


Em seu livro “Crônicas de Coragem e Humor”, Adhemar Santillo deixou a seguinte mensagem:


“Nunca nos faltou disposição para buscar o ideal almejado. Cumprimos passo a passo nossa trajetória com destemor e determinação, ancorados na esperança e na serenidade. Mesmo nos momentos mais tensos e críticos encontrávamos a alegria de servir ao próximo”.