Antes incontestáveis, candidaturas já admitem outros caminhos

Atualizado: 24 de Jul de 2020

Pré-campanha em Anápolis muda de status: chega ao fim a fase em que todo mundo é candidato e começam as tratativas visando alcançar o poder



MARCOS VIEIRA


Pré-candidaturas a prefeito de Anápolis, consideradas incontestáveis até outro dia pelos próprios postulantes, já dão sinais de que até aceitam refluir da cabeça de chapa para fazer parte de alianças.


Isso mostra que chega ao fim a primeira fase da pré-campanha, quando todos os partidos lançam candidatos, mas a maioria busca apenas fortalecer o próprio passe e garantir, um pouco mais adiante, a presença em uma chapa competitiva.


O Podemos começou o debate com diversas pré-candidaturas. Em janeiro tinha o ex-deputado José de Lima, o ex-vereador Sírio Miguel e o até então recém-filiado Cândido Filho, radialista que deixou o MDB porque não viu espaço na sigla para se candidatar.


O afunilamento foi rápido. José de Lima se filiou ao Patriota, pois a agremiação lhe ofereceu palanque exclusivo para a candidatura a prefeito. Sírio assumiu a presidência do Podemos e abriu mão da disputa. Restou então Cândido Filho.


Mas a cabeça de chapa que era certa dentro do Podemos começou a ser repensada a partir de uma possível aliança com Republicanos e DC. Esses dois também vinham se apresentando com pré-candidaturas sólidas e irreversíveis.


O DC tem vivido de reviravoltas. Primeiro lançou Jorge Bezerra a prefeito. Depois firmou posição em torno do nome de Robson Guimarães. Hoje voltou a falar de Bezerra, que como presidente da agremiação, descarta a candidatura de Robson – o projeto do ambientalista morreu por sincericídio.


O Republicanos ainda é uma incógnita. Seu pré-candidato, Brigadeiro Bragança, é cortejado por algumas siglas, tem dado várias entrevistas como novidade na política, mas evita opinar quando questionado por que o seu partido permanece na base do prefeito Roberto Naves (PP), ocupando cargos, se pretende seguir outro caminho na eleição.


A ligação com o governo municipal impede um grito de independência por completo do Republicanos. Nos bastidores, muitos analisam que aquele que manda na sigla em Goiás, deputado federal João Campos, ainda não falou nada sobre Anápolis. E ele dará a palavra final sobre o comportamento dos correligionários de Anápolis nessas eleições.


Trio

Recentemente o Podemos, o DC e o Republicanos fizeram uma reunião. O encontro produziu o seguinte acordo: os três estariam juntos na eleição de Anápolis e a vagas de prefeito e vice seriam preenchidas a partir de pesquisas.


Passaram os dias e nada aconteceu. O Podemos se irritou com o Republicanos. “Esperamos que eles se definam até o 2º turno”, ironizou o presidente Sírio Miguel.


Bezerra, do DC, também alfinetou os quase parceiros. Lamentou que as decisões para Anápolis precisem vir das cúpulas estaduais. Disse, inclusive, que o presidente regional do Podemos, deputado federal José Nelto, irá decidir o que lhe renderá frutos em 2022.


Tucano

Em meio às promessas de aliança e os frequentes desacordos, entrou em cena o PSDB, do pré-candidato João Gomes. O ex-prefeito já admite colocar seu nome na mesa para a discussão de uma aliança, sem que necessariamente ele seja o cabeça de chapa.


João diz que o ex-governador Marconi Perillo é um dos articuladores de uma possível parceria com o PSD, do pré-candidato Humberto Evangelista, outro que há poucos meses era certo na disputa. O tucano cita ainda o Republicanos, do Brigadeiro Bragança, como possível companheiro de chapa.


Bragança também já foi sondado pelo PRTB do pré-candidato Edson Tavares, que cogitou a possibilidade do militar deixar o Republicanos para ser candidato pelo seu partido.


Mais tarde foi esclarecido que os prazos diferentes para filiações em ano eleitoral valem apenas para militares da ativa. A movimentação não deu em nada, mas revelou que a candidatura de Edson também não é algo irrevogável.


Começa agora uma nova fase da pré-campanha. Ao perceberem que nem sempre é fácil achar um candidato a vice competitivo, conseguir recursos para a campanha e dar o grito de independência diante dos caciques estaduais, muitos partidos devem assumir o papel de coadjuvantes.

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita dos responsáveis pelo Anápolis 360 graus. Editado por eLive Produções.

Estamos nas redes sociais

  • Facebook - círculo cinza
  • Twitter - círculo cinza
  • YouTube - círculo cinza
  • Instagram - Cinza Círculo