Histórias surpreendentes de bêbados ao volante em Anápolis

Há todo tipo de desrespeito à vida e mesmo com bares fechados devido à Covid-19, os casos não diminuíram na cidade



MARCOS VIEIRA


Toda sexta-feira tem blitz em Anápolis da Delegacia de Investigação de Crimes de Trânsito (DICT). E sempre há casos que surpreendem os já experientes policiais.


A pandemia do coronavírus, que fechou bares, não reduziu a embriaguez ao volante. As pessoas estão consumindo álcool na casa de amigos e familiares e depois dirigindo bêbadas por aí.


Nesse último final de semana, uma empresária em um carro de luxo foi flagrada dirigindo embriagada na região do Bairro Jundiaí. O teste do bafômetro deu 0,71 mg/L.


Para se ter ideia, a tolerância é zero para o consumo de álcool no trânsito, mas a partir de 0,33 mg/L já é considerado crime. Ou seja, a mulher ultrapassou o dobro desse limite.


A empresária foi para a delegacia, mas foi solta após pagar fiança de R$ 12 mil.


Teve também o caso de um pai, com duas crianças pequenas no carro. Bêbado, o homem ainda brigou com os policiais.


Outro cidadão, também embriagado, resolveu fugir da polícia, o que deu trabalho e ainda colocou em risco mais pessoas com a sua atitude.


O titular da DICT, delegado Manoel Vanderic, diz que só não tiveram mais flagrantes porque a Covid-19 exige cuidados que deixam o processo lento.


Foram 20 motoristas pegos no final de semana, sendo que cinco ultrapassaram a tolerância criminal e foram presos em flagrante.


Vanderic fala em “generalização da embriaguez ao volante”. Hoje não há perfil, todo tipo de gente é pega dirigindo bêbada em Anápolis.


Praça Dom Emanuel

O delegado alerta para o problema em que se transformou a Praça Dom Emanuel durante a madrugada. Segundo ele, virou uma cracolândia, com gente embriagada e todo tipo de perigo. “É uma bomba relógio aquele lugar de madrugada”, diz Manoel Vanderic.


Ele conta que os bêbados ficam na praça até às 7h, depois vão até ao Feirão do Jundiaí, comerem pastel, para aí sim voltarem para casa. Nesse trajeto, por estarem embriagados, eles colocam as pessoas em risco.


Muito dessa cultura, diz o delegado, é aprendida dentro das próprias casas. Vanderic conta que há diversos casos, de homens de 30 a 40 anos, que quando são presos ligam para o pai ou a mãe pagar a fiança. “Eles levam o filho embora ‘no colo’ e acham que ele é vítima do Estado”, desabafa.