Clínicas particulares de Anápolis são suspeitas de fraude e corrupção

Atualizado: 19 de Mai de 2020

Operação Backdoor II da Polícia Civil mira fraudes cometidas por empresas e profissionais, além de servidores públicos, gerando desfalque milionário no Ipasgo


DA REDAÇÃO Operação da Polícia Civil de Goiás cumpriu sete mandados de busca e apreensão em clínicas particulares de Anápolis na manhã desta quinta-feira (14.mai). Batizada de Backdoor II, a ação coordenada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Geccor) envolveu 236 policiais civis em dez cidades goianas e em São Paulo. Foi efetivado o bloqueio judicial de R$ 84 milhões em cima dos bens dos investigados. São 25 pessoas físicas e 27 pessoas jurídicas na mira da Polícia Civil. O objetivo foi apreender computadores, celulares, documentos, contratos, extratos bancários e quaisquer outros elementos de informação referentes aos investigados e sua relação com o Ipasgo. Segundo o que foi apurado, servidores envolvidos no esquema eram terceirizados de uma empresa contratada pelo Ipasgo, motivo pelo qual se instaurou outro inquérito com o objetivo de apurar de que forma essa empresa adentrou no instituto. Licitação fraudada A Polícia Civil apura indícios de fraudes em todos os certames que a empresa vencedora participou no Ipasgo, tendo em vista a exigência de atestados de capacidade técnica extremamente restritivos que culminaram na restrição ao caráter competitivo e direcionamento de licitação para que a empresa investigada fosse a vencedora do processo licitatório. Nesse sentido, a investigação apontou que a licitação fraudulenta ocorreu como forma de manter o “status quo” que imperava na autarquia, já que a empresa que até então estava no Ipasgo teve seus bens bloqueados em virtude de ação judicial por irregularidades verificadas em um contrato celebrado com a Celg, no qual sócios dessa empresa fraudaram a licitação e se mantiveram na autarquia. Além de terem os mesmos sócios, as empresas, inclusive, situavam-se no mesmo edifício comercial, sendo que um dos sócios da empresa que atualmente está no Ipasgo já figurou como responsável técnico da antecessora em contrato assinado em 2006. Foi a empresa antecessora que forneceu o atestado de capacidade técnica para a atual participar da licitação. Porém, o atestado é ideologicamente falso, tendo em vista que o volume de atividades narradas no documento não guardava proporcionalidade com a receita de serviços registrada no balanço patrimonial da empresa. De acordo com a investigação, um único servidor do Ipasgo foi responsável por todo o processo licitatório, sem que houvesse separação de funções. O funcionário elaborou o termo de referência, o edital com exigência de atestado restritivo, requisição de serviço e julgamento da impugnação de edital. Apesar de outras empresas participantes terem recorrido e apontado as ilegalidades, os argumentos foram ignorados por membros das comissões de licitação. Também houve uso do pregão presencial, em detrimento do pregão eletrônico, sem justificativa plausível, em todos os processos licitatórios que a empresa foi vencedora no Ipasgo, dando a falsa ideia de competitividade aos certames. Omissão A Operação Backdoor II verificou desvio de finalidade na execução dos contratos e omissão na fiscalização, uma vez que auditorias foram realizadas por colaboradores da empresa investigada em desacordo com o objeto contratual, com a agravante de que médicos contratados auditavam contas de locais em que trabalhavam bem como foi detectado auditor que nem era médico. Essas auditorias totalizaram o valor de R$ 63.334.733,00. Além disso, observaram-se auditorias em exames complementares, decorrentes de internação emitidas acima de 50% do parâmetro de referência pelo Ipasgo realizadas por colaboradores vinculados à empresa, totalizando o valor de R$ 14.431.767,78. Ao final das investigações, os envolvidos poderão ser indiciados pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa, prevaricação e fraude em licitação. A operação foi batizada com o nome Backdoor, que significa porta dos fundos. Este é o nome dado à entrada secreta em determinado software, burlando uma autenticação ou criptografia do sistema informatizado. Números Efetivo utilizado: 236 policiais civis, com apoio operacional de 50 peritos e mais 10 policiais civis lotados na Superintendência de Combate à Corrupção (SCCCO). Medidas cautelares: cumpridos 53 mandados de busca e apreensão nas seguintes cidades: .Goiânia: 27 .Anápolis: 07 .Ceres: 08 .Aparecida de Goiânia: 01 .Inhumas: 01 .Itapaci: 01 .Jaraguá: 02 .Caldas Novas: 01 .Rialma: 01 .São Patrício: 03 .São Paulo: 01 Bloqueio judicial de R$ 84 milhões a recaírem sobre os bens dos investigados. Investigados: 25 pessoas físicas e 27 pessoas jurídicas. (Com informações da Comunicação da Polícia Civil de Goiás)

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