#Opinião | Não existe opção fora do jornalismo

Em ano eleitoral, busque se informar sobre candidatos e planos de governo, mas faça isso em veículos sérios e profissionais. Não abra mão disso



MARCOS VIEIRA


Esse artigo é um alerta: você não encontra informação precisa e correta fora do jornalismo profissional. E como é impossível viver sem informação, talvez o produto mais valioso da modernidade, não há outra opção: notícia só deve ser produzida por quem se especializou para isso.


Leia jornais e sites, assista telejornais e ouça programas de rádio feitos por profissionais de comunicação que assinam o que produzem, seguem um código de ética, possuem registro e endereço. Só assim você terá a certeza de que não está diante de uma informação falsa ou mal apurada.


A notícia com dados precários, linguagem pobre e repleta de imprecisões confunde o leitor, que forma uma opinião errônea de determinado fato e repassa para a frente algo que foge da realidade. A desinformação acaba se propagando em cadeia, enfraquecendo a sociedade.


É inadmissível que você procure especialistas para lhe ajudar em diferentes áreas e decida se informar por “grupos de notícia” de Whatsapp, ou através de páginas de Facebook ou por cidadãos que só porque arrumaram um horário em uma rádio web acham que “viraram” jornalistas.


Geralmente é gente que se arrisca na área porque tem o sonho de ser um jornalista, mas, sejamos claros, não possuem conhecimento para tal. Ninguém procura tratamento em um dentista prático porque simplesmente essa pessoa não é dentista. Aliás, exercício ilegal da profissão é crime em muitos casos.


Não estou falando do comunicador formado no dia a dia, que diverte as pessoas no rádio e de hora em hora lê notícias produzidas por terceiros. Também não me refiro ao profissional de outra área (advocacia, sociologia, medicina) que aproveita sua aptidão para a comunicação para dar opiniões. Esses cumprem papel relevante.


Falo do produtor de notícia. O repórter. Esse precisa ter conhecimento real da profissão para apurar dados, ouvir todos os lados e, principalmente, decidir o que é de fato notícia, considerando a ética e o impacto gerado em um indivíduo ou comunidade. Do contrário, seguiremos lendo sobre brigas de vizinho ou outras fofocas, em textos rasos que pouco acrescentam - e essa nem de perto é a missão do jornalismo.


Sem falar na morbidez de alguns textos por aí, que exploram detalhes de casos de polícia que nada acrescentam e só servem para garantir audiência.


Em uma época em que governantes tentam desbancar a imprensa profissional, porque obviamente enxergam nela uma ameaça a seus atos pouco republicanos, precisamos nos educar para o consumo de notícias.


É preciso saber que veículo de comunicação tem posicionamento editorial e se ele é diferente do que você pensa, não significa que a notícia seja falsa. Jornalista vive da sua profissão e cair em descrédito por uma fake news é perder o ganha pão. Isso é prática de quem tem algum objetivo criminoso, gente que geralmente nunca pisou em uma redação.


Dentro desse processo de educação, se habitue a enviar mensagens ao jornal quando discordar de algo. Fomente o debate sem ofensas, plural, importante para a sociedade. A redação séria sempre vai publicar o seu contraditório.


E lembre-se: se no final você discordar frontalmente de algum veículo de comunicação, simplesmente deixe de consumi-lo. Em uma democracia é assim que agimos. Pregar o fim de um jornal, site, emissora de televisão ou de rádio só porque você não gosta dele é ser extremista e avesso à convivência com as diferenças.


Em ano eleitoral, busque se informar sobre candidatos e planos de governo, mas faça isso em veículos sérios e profissionais. Não abra mão disso.


Um levantamento da Avaaz, plataforma de mobilização online, revelou que os brasileiros são os que mais acreditam em fake news no mundo. Segundo a pesquisa, sete em cada 10 brasileiros se informam pelas redes sociais e 62% já acreditaram em alguma notícia falsa.


E desinformação e eleição não podem andar juntas porque além da rima pobre, a junção produziria um futuro repleto de péssimas notícias.