Prefeito de Anápolis faz discurso contundente: “a situação é crítica”

Leia o que disse Roberto Naves sobre a escalada de casos de Covid-19 na cidade e o possível colapso do sistema



DA REDAÇÃO


O discurso do prefeito de Anápolis, Roberto Naves (PP), durante audiência pública de prestação de contas, na manhã desta sexta-feira (26.fev), relatando a situação do sistema de saúde municipal diante da escalada de casos de Covid-19, deixou clara a realidade atual e acabou viralizando em Goiás.


Leia o que ele disse:


“Só temos que ter um foco nos últimos 15 dias: salvar o maior número de vidas possível.


A realidade que vivemos hoje é bem diferente do que a maioria da população está achando que existe.


Na 1ª onda nunca tivemos 80% dos leitos ocupados. Posso dizer que nessa manhã [26.fev], dos 50 leitos [de UTI] que temos, mais de 40 estão ocupados. Continuando assim, dentro de uma semana nós não teremos mais leitos para atender nossa população.


Muitas pessoas me falam “eu quero ser prioridade na matriz de risco, meu segmento quer se prioridade”. Nesse momento nós temos apenas uma prioridade: manter as pessoas vivas.


Vamos fazer o que for possível para que possamos dar tratamento digno e adequado a todo cidadão anapolino. Surgiu a oportunidade de a gente aumentar o número de leitos de UTI de 50 para 60. Estamos trabalhando essa possibilidade. Caso dê certo, conseguiremos passar por essa 2ª onda. Caso não dê certo, é preciso a colaboração de todos.


Se acabar nossos leitos, não tem a quem a gente pedir socorro. E aí pode ser qualquer pessoa da nossa cidade, ela vai morrer sem ter leito de UTI, essa é a verdade. Então quando formos tratar desse assunto, que a consciência de cada um de nós possa falar mais alto.


A situação é muito pior do que muitos imaginam. Médicos cansados, mão de obra já no limite, não tem condições de abrir mais leitos porque não tem medicamento, não tem respirador e não tem médicos, enfermeiros e técnicos. E muita gente levando isso na brincadeira.


Já sentimos o impacto dessa crise, mas graças a Deus estamos vivos para recuperar possíveis perdas. Só recupera perda se estiver vivo. E para estar vivo é preciso de tratamento adequado. Só que a capacidade da saúde fazer o tratamento adequado é limitada.


Então o discurso contrário às restrições é muito bonito, mas quando se faz isso, fica meu convite: vamos lá dentro da UTI do Norma [Pizzari, centro de internação para coronavírus] para ver o que está acontecendo.


Uma pergunta que fica: se fosse seu pai ou sua mãe? Você manteria a opinião contrária ao isolamento social?


Se o número de pacientes internados continuar aumentando, na hora que chegarmos em 90%, a cidade será fechada. Vai funcionar pronto-atendimento na área da saúde, farmácia, supermercado e vamos manter a capacidade reduzida na linha de produção das indústrias. O resto tudo vai ser fechado. A população precisa ter essa consciência. Eu não vou permitir e tenho certeza que os vereadores também não, que por causa de irresponsáveis que fazem o teste, estão positivos, e mesmo assim não querem ficar isolados, que a gente perca dezenas de pessoas da nossa cidade.


Então fica aqui o alerta: peço encarecidamente a colaboração de todos. Não tem brincadeira nisso e estamos enfrentando uma situação crítica. Para vocês terem noção, dos 50 leitos 15 são comprados de Goiânia. Resumindo: os leitos que existem na nossa cidade, todos estão lotados. Qualquer paciente que precisar de UTI hoje tem que ser transferido para nossos leitos em Goiânia, que pagamos com dinheiro do município, sem dinheiro do governo federal ou estadual. Hoje se precisar de leito para qualquer cidadão, dentro da cidade não tem. Essa é a verdade nua e crua”.


Veja o vídeo: