Prefeito pede foco na pandemia: “eleição deixa para quando for acontecer”

Atualizado: 29 de Mai de 2020

Aulas na rede municipal, preço dos testes de Covid-19, união da oposição e situação: veja o que Roberto Naves disse na Câmara de Anápolis



MARCOS VIEIRA


Em uma fala que durou 60 minutos na manhã desta quinta-feira (28.mai) na Câmara Municipal, na audiência de prestação de contas do 1º quadrimestre de 2020, o prefeito de Anápolis, Roberto Naves (PP), trouxe algumas questões importantes no que diz respeito às ações da gestão nesse momento de pandemia do coronavírus. Veja a seguir os principais pontos:


Aulas on-line para as escolas municipais

Roberto voltou a defender que as aulas telepresenciais para o ensino fundamental, de responsabilidade do Município, não possuem a mesma eficácia daquelas ministradas para alunos do ensino médio, que fica a cargo do Estado. Mas o prefeito disse irá anunciar o uso da plataforma on-line para as crianças da rede municipal, mais por uma questão de manutenção de vínculo delas com a escola.

“A preocupação maior não é com matemática e português. Se a pandemia chegar a novembro, dezembro, vamos ter crianças que não vão querer voltar para a escola. Então vamos voltar o convívio, a relação afetiva, mas de forma escalonada”, afirmou Roberto.


Além da UPA Norte, centro cirúrgico e leitos no antigo Cais Progresso

O prefeito disse que além da UPA Norte, que ocupará o espaço reformado e ampliado do antigo Cais do Jardim Progresso, outra parte do imóvel, de 1000 m², será reformada até o final do ano para abrigar dois centros cirúrgicos, mais 36 leitos de internação, sendo 10 leitos de UTI. Segundo Roberto, os respiradores do Centro de Internação Norma Pizzari Gonçalves irão para esse local ao final da pandemia.


Realinhamento de preços nos testes para Covid-19

Roberto Naves afirmou que os 5 mil testes PCR para Covid-19 contratados de laboratório do hospital particular Ânima passaram por um processo de compra direta com publicação de edital. Segundo ele, foi dado um prazo para as empresas interessadas apresentassem suas propostas – e ao final, o menor preço foi do Ânima.

Segundo o prefeito, ao contrário do que foi publicado, “fake news” segundo ele, a administração não abriu mão dos serviços da UFG, que seriam mais baratos, porque a universidade nem comunicou que estava fazendo testes PCR e, tampouco, se habilitou para o processo.

Mas segundo Roberto, a partir de uma reunião virtual com a promotora de Justiça Sandra Mara Garbelini, a Procuradoria-Geral do Município prepara dispositivo que permite cobrar dos fornecedores que tenham contrato com a prefeitura, que realinhem o preço nesse momento de pandemia para o valor mais baixo ofertado no mercado, sob pena de deixarem de fornecer ao poder público municipal.

Com isso, a UFG irá notificar a prefeitura dos seus valores para testes PCR. “Então encaminharemos ao Ânima para realinhar o preço. Se eles não quiserem, posso adquirir de outro fornecedor. É assim que vai funcionar”, explicou Roberto.


“Vamos todos juntos. Eleição deixa para quando for acontecer”

Ao final do seu discurso, o prefeito de Anápolis fez um apelo para que todos, situação e oposição, trabalhem unidas para vencer a fase mais aguda da pandemia, que segundo ele, ainda vai chegar à cidade.

“Eu gostaria muito de pedir isso a todos vocês, para que a gente possa realmente estarmos juntos nisso daí. O pior ainda vai chegar. Não chegou não! E a gente vai precisar de todo mundo falando a mesma linguagem para que a gente poder passar por isso”, disse Roberto.

Segundo ele, Anápolis tem sido abençoada porque reabriu diversas atividades há 21 dias, mas não há uma explosão de casos, embora a tendência seja um crescimento da curva. E quando isso ocorrer, o prefeito afirmou que a população precisará de todos na linha de frente.

“Não vamos antecipar questões eleitorais. Vamos trabalhar, trabalhar e trabalhar. Na hora que tiver que ser julgado, vamos todos para a urna”, ressaltou.

Roberto falou do carinho que tem pelo vereador Luiz Lacerda (PT), um dos principais nomes da oposição, e observou que estão ocorrendo alguns “embates acalorados demais e que não tem necessidade, nem da base e nem da oposição”.

“Faço esse apelo pelo carinho que tenho por vocês. E antes de me tornar prefeito, quando era só dono de escola, frequentava gabinete e ajudava no que podia. No dia que deixar de ser prefeito vai continuar a mesma coisa. Não abro mão de princípios, amizades e carinhos que tenho. Dessa forma vamos conseguir fazer uma gestão que vai realmente ficar marcada na história, que pensou nas pessoas”, concluiu.


Os números do primeiro quadrimestre de 2020

A audiência pública de prestação de contas mostrou receita líquida da Prefeitura de Anápolis de R$ 374.629.610,46 no primeiro quadrimestre de 2020. O montante é ligeiramente maior que o período anterior, o último quadrimestre de 2019, que somou R$ 357.822.668,01.

A receita tributária entre janeiro e abril deste ano foi de R$ 113.954.568,22. Já as transferências correntes apresentaram queda de um quadrimestre para outro: R$ 241.004.341,66 neste ano e R$ 277.901.459,72 no período anterior.

No comparativo dos primeiros quadrimestres de 2019 e 2020, a receita corrente subiu 8,09%. Já a receita tributária caiu 10,44%.

Quanto à dívida fundada, o total em 30 de abril deste ano era de R$ 205.489.438,93. O maior credor da administração é a Caixa Econômica Federal, devido aos financiamentos contraídos nos últimos anos. Os precatórios representam 12,61% dessa dívida.

O gasto com pessoal da Prefeitura de Anápolis nos últimos 12 meses representa 49,35% da receita corrente líquida, abaixo do limite prudencial (51,3%) e limite máximo (54%).

A aplicação na educação nos primeiros quatro meses do ano chegou a 29,87% - o percentual mínimo determinado por lei é de 25%. Na saúde foram aplicados 27,2%, sendo que o limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é de 15%.

Em sua explanação, o secretário municipal da Fazenda, Marcos Abrão, chamou a atenção para o fato de que os impactos da pandemia do coronavírus só serão observados no 2º quadrimestre, já que as medidas restritivas começaram a ter efeito considerável na economia a partir de abril.

Ele citou um dado específico, de arrecadação do IPTU, que caiu R$ 20 milhões no comparativo de 2020 com o ano passado. Apesar da crise, Abrão destacou a saúde financeira da Prefeitura de Anápolis, que faz com que haja um impacto menor nesse momento de crise.

“Ninguém previa enfrentar uma pandemia, mas graças ao dinamismo da equipe, saímos na frente e tenho certeza que sairemos na frente no enfrentamento das consequências. Temos que calibrar a saúde pública com a atividade econômica. É uma linha tênue e é preciso estar antenado com o que vem ocorrendo. Aqui o prefeito Roberto Naves soube calibrar a responsabilidade de manter vidas e continuar sendo a locomotiva econômica de Goiás”, disse o secretário da Fazenda.