Primeiro deputado federal a ler a Bíblia em uma sessão morre aos 78 anos

Atualizado: 17 de Set de 2020

Nascido em Anápolis, Antônio de Jesus estava internado com Covid-19 e apresentou complicações devido a problemas renais



MARCOS VIEIRA


Pastor evangélico, psicólogo e professor, o ex-deputado Antônio de Jesus Dias (foto) morreu na madrugada desta quinta-feira (3.set) em Goiânia, aos 78 anos de idade, vítima da Covid-19. Ele era considerado do grupo de risco por já ter problemas renais.


Nascido em Anápolis em 28 de janeiro de 1942, Antônio foi deputado federal constituinte, entre 1987 e 1991, pelo PMDB, se configurando em uma importante liderança de um grupo de 33 parlamentares de confissão cristã evangélica – incluindo protestantes e pentecostais – que despontava como novidade naquele momento no Congresso Nacional.


Foi o primeiro deputado federal a ler a Bíblia em uma sessão.


É de sua autoria a emenda de número 681, cujo propósito foi incluir artigo no regimento interno da Câmara Federal que fizesse constar obrigatoriamente a presença de um exemplar da Bíblia na Mesa Diretiva da Assembleia Nacional Constituinte. O texto foi aprovado. Antônio de Jesus deu a seguinte justificativa para sua proposta:


“Sendo o povo brasileiro fundamentalmente cristão, achamos oportuno sugerir que sempre haja um exemplar da Bíblia Sagrada à disposição dos Constituintes, pois assim estaremos em consonância com as crenças do nosso povo, e da moral cristã consubstanciada no Decálogo, destacando o respeito à vida e ao patrimônio alheios e ao amor ao próximo”.


A presença da Bíblia no plenário foi considerada uma grande vitória para os deputados evangélicos naquele momento, de um simbolismo fundamental para outras pautas apresentadas pela bancada ao longo da Assembleia Nacional Constituinte.


Outro embate travado foi pela inclusão de Deus no preâmbulo da Constituição Federal. “Que haja a presença de Deus no preâmbulo da Constituição, porque sem a presença de Deus nada podemos fazer de bom para o povo”, discursou Antônio de Jesus em 28 de janeiro de 1988.


Sua trajetória mostra ainda a luta contra o racismo. Defendeu no Congresso Nacional o rompimento diplomático do Brasil com países que detinham políticas raciais discriminatórias. Antônio de Jesus também foi contra a limitação do direito de propriedade, contra a pena de morte, a estatização do sistema financeiro e contra o aborto.


Antônio de Jesus foi deputado federal também no mandato seguinte – eleito suplente assumiu a titularidade em alguns momentos entre 1991 e 1993. Sua trajetória em cargos eletivos começou na Assembleia Legislativa de Goiás, quando assumiu a cadeira de deputado estadual por um breve período na 9ª legislatura.


Foi um dos primeiros líderes da União de Mocidade das Assembleias de Deus do Estado de Goiás. O ex-deputado foi ainda diretor técnico da Fundação do Bem-Estar do Menor, em Goiânia, nos anos 80, e subchefe do Gabinete Civil da Governadoria do Estado de Goiás, durante o Governo de Ary Valadão.


A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa decretou luto oficial por três dias pela morte de Antônio de Jesus.


Em setembro do ano passado, o ex-deputado foi homenageado durante sessão solene na Câmara Municipal de Anápolis, por iniciativa do vereador Teles Júnior (PMN).

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