Profissionais da educação e políticos defendem escolas como serviço essencial

Debate partiu de escolas particulares de Anápolis; objetivo é que estabelecimentos não sejam fechados mesmo com decretos mais rígidos



FERNANDA MORAIS


Diretores e professores de escolas particulares de Anápolis, pais, vereadores e o deputado estadual Cairo Salim (PROS) participaram de uma reunião virtual para discutirem os prejuízos causados pelo fechamento prolongado das escolas por conta da pandemia do coronavírus.


Pelo menos 80 pessoas acompanharam os debates ao longo de duas horas na tarde desta quarta-feira (24.mar). O ponto central não foi apenas a questão educacional, mas também emocional e de segurança para as crianças e adolescentes afastados das salas de aula. A crise financeira e possibilidade de fechamento de unidades de ensino – além da do aumento nas demissões de funcionários – também entraram na pauta da reunião.


Nesse sentido, os profissionais ligados ao setor da educação pediram para os vereadores de Anápolis que acompanharam a conversa que busquem uma maneira de interceder junto ao Executivo para tornar as escolas serviço essencial no município, portanto impedidas de fecharem as portas quando há recrudescimento em decretos de isolamento social.


Os vereadores Trícia Barreto e Seliane da SOS, ambas do MDB, Fred Caixeta (Avante) e José Fernandes (PSB), presentes na conversa, deram suas opiniões sobre o assunto.


“Além da questão educacional, que traz prejuízos pedagógicos para os alunos, tem ainda a questão psicológica que preocupa. Tivemos relatos de aumento da depressão, ansiedade, compulsão alimentar e até de suicídios de jovens com a privação do convívio escolar. Isso sem falar na questão econômica. Escolas à beira da falência o que colaboraria para aumento do desemprego com a demissão de seus funcionários. Coloquei meu mandato à disposição para tentar encontrar um ponto de equilíbrio sobre tudo que foi discutido”, comentou Trícia Barreto.


“Preocupação importante de pais, alunos e líderes a respeito do momento em que vivemos e a importância da educação-escola na formação psicossocial e humana de nossas crianças. O estrangulamento financeiro das escolas, professores em risco de serem demitidos, o drama de pais que não se sentem preparados para acompanhar as tarefas dos filhos, o índice de violência sexual e física cada vez maior, o reconhecimento da educação como atividade essencial. Enfim, múltiplos temas pertinentes e que exigem uma disposição da sociedade organizada e dos poderes constituídos para encontrar soluções urgentes”, defendeu o também médico José Fernandes.


“Escolas são essenciais. Em outros países o índice ou período de fechamento das escolas são pequenos. Casos extremos. Preocupa-me a situação dos alunos das escolas públicas, principalmente aqueles onde a família não tem um computador, celular ou internet para esse estudante acompanhar o ensino à distância. Tem que ter um bom senso, porque a pandemia está em um momento delicado. Temos que pensar nos cursos livres que dão suporte também para adultos. Precisamos expandir as discussões nesse processo”, disse Seliane da SOS.


“Foi uma reunião importante, um assunto de peso. Os profissionais pedem a essencialidade do ensino, a abertura das escolas. Temos a pandemia. Mas pelo menos os debates estão sendo feitos e agora é buscar alternativas que não prejudiquem o ensino, o funcionamento das escolas, provoquem demissões e outros prejuízos”, posicionou Fred Caixeta.