PSOL se reorganiza e diz que defesa da vida sobrepõe projeto eleitoral

Presidente municipal Alexandre Righy diz que cuidados com a pandemia e a democracia são mais importantes neste momento que a própria eleição



MARCOS VIEIRA


Longe das duas últimas eleições municipais (2016 e 2012) de Anápolis, o PSOL se organiza para lançar candidatos. O partido tem alguns nomes dispostos a encarar a disputa majoritária, mas segundo seu presidente, Alexandre Teixeira Righy, nada será definido ou anunciado antes de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto ao próprio pleito, diante da pandemia de coronavírus.


O presidente do PSOL de Anápolis é servidor público municipal, advogado, especialista em Direito Penal e Processual Penal e Direito Administrativo. Ele respondeu por escrito alguns questionamentos feitos pelo Anápolis 360° nesta segunda-feira (8.jun). Veja o que disse Alexandre Righy.


O PSOL terá candidato a prefeito em Anápolis?

O PSOL Anápolis está em recente fase de reorganização e como a situação organizativa toma uma infinidade de tempo, as discussões políticas estão em atraso. Temos alguns nomes inscritos como pré-candidato e por prudência, nesse contexto em que vivemos de pandemia, devemos aguardar a convenção partidária, instância interna que define as candidaturas que ocorrerá de modo virtual, em data a ser definida pelo diretório municipal.

Estamos aguardando o posicionamento do TSE para definir nosso calendário, não pretendemos antecipar nenhum tipo de campanha, seja ela como pré-candidato ou candidato propriamente dito na incerteza de haver ou não eleições municipais em outubro, ou se será adiada a uma data futura, o que nos faz pedir cautela, avançando de forma a contribuir positivamente para a participação no pleito de 2020.


Caso o PSOL não tenha candidato a prefeito, qual o caminho a seguir? Irá coligar na majoritária com alguma outra sigla?

Eventualmente se ocorrer algum imprevisto ou se os membros do partido decidirem na convenção por bem apoiar algum outro candidato, o caminho natural é que seja um partido ligado às causas defendidas pelo PSOL, a exemplo o enfrentamento ao governo Bolsonaro. A urgência atual é da luta em defesa da vida e da democracia. Essa luta se impõe como um dever ante a realização de projeto político partidário, seja ele pessoal ou não.

Embora tenhamos a autonomia para definir os rumos por onde trilhar no âmbito municipal, somos um partido que respeita a diversidade de opiniões, dando a devida importância e balanceando os prós e os contras, seguindo a mesma linha defendida do diretório estadual e do diretório nacional. Se por ventura vier uma recomendação da unicidade partidária, cabe ao diretório municipal seguir a recomendação, buscando o melhor nessa luta contra o governo genocida e autoritário de Jair Bolsonaro.


O PSOL lançará chapa completa de candidatos a vereador?

Não conseguiremos lançar a chapa completa, pretendemos sim dar a oportunidade para o maior número possível de vozes que querem e precisam ser ouvidas, que faça a defesa das mulheres, dos negros, da comunidade LGBT e do trabalhador – o que é uma característica do PSOL, a defesa da diversidade e pluralidade.


Qual a principal bandeira de campanha a ser defendida na eleição municipal?

Hoje a principal bandeira defendida é a defesa da vida e da democracia. Temos dois inimigos declarados, Bolsonaro e a pandemia, e não podemos pensar no âmbito municipal sem discutir essa realidade que nos assombra. Pautamos pela construção coletiva e diversos movimentos e aguardamos suas contribuições para apresentar todas as pautas a crivo de nossos filiados.

Nossa maior preocupação agora não é com o pleito eleitoral e sim a defesa da vida. Nossa realidade municipal requerer cuidados extremos frente à pandemia e se tivermos que sacrificar aspirações para garantir a saúde de nossos filiados e sociedade, assim faremos.

O desafio diante de nós é a própria sobrevivência das pessoas e da democracia.


SAIBA MAIS


Única candidatura em Anápolis foi em 2008


Registrado no TSE em 15 de setembro de 2005, o PSOL foi uma das novidades das eleições municipais de 2008. A sigla formada por dissidentes do PT havia marcado posição em todo o país na disputa presidencial de 2006, com a candidatura da ex-senadora Heloísa Helena.


Foi em 2008 a única vez que o PSOL teve candidato a prefeito em Anápolis: Elber Sampaio se lançou na disputa, obtendo 709 votos, ficando em último lugar de um pleito que teve sete postulantes.


Naquela eleição a candidata a vice do PSOL foi Alessandra Campos, do PSTU. A chapa de candidatos a vereador da aliança lançou 11 nomes (sete pelo PSTU e quatro pelo PSOL) – ninguém foi eleito.


(Foto: Divulgação. Da direita para esquerda: Gabriela Ferraz, Rúbia Amorim, Cintia Dias, João Luís, Alexandre Righy, Rodrigo Kruppa, Web Gabner, Nilton César Queiroz e Alex Costa. Sentado: Eugênio Lourenço Dias)