Quatro histórias de reviravoltas na política de Anápolis

Eleição é terreno fértil para surpresas: a seguir, casos que ficaram marcados na política local por mudanças bruscas antes da campanha



MARCOS VIEIRA


O próximo e importante passo nas eleições 2020 é a realização de convenções para definição de candidaturas e coligações. É um momento crucial para todos os projetos políticos, pois é quando partidos e seus membros selam o pacto de caminhar unidos na campanha, algo fundamental para a vitória nas urnas.


Mas o momento também é marcado por reviravoltas. Candidaturas certas ou apoios praticamente definidos são atropelados por outras alas ou, em alguns casos, pelo comando regional da sigla.


O Anápolis 360° relembra algumas histórias da política anapolina:


De um extremo ao outro da ideologia política

Em 2016, na reta final das convenções, o então presidente do MDB de Anápolis, Eli Rosa, acreditava que levaria seu partido a apoiar o DEM, cujo candidato era Pedro Canedo.

O que Eli não esperava é que o presidente regional do MDB, Daniel Vilela, atropelaria a vontade dos correligionários anapolinos, forçando uma aliança com o PT, que tinha como candidato à reeleição o então prefeito João Gomes. Para aplacar uma possível cisão, Eli Rosa foi convidado a ser o candidato a vice da aliança.

A chapa perdeu para o atual prefeito, Roberto Naves (PP). Eli Rosa fez críticas ao PT. João Gomes fez críticas ao PT. Ambos mudaram de partidos. O que não mudou é proximidade dos dirigentes estaduais do MDB e PT.


Intervenção impede candidatura

Era o último dia das convenções partidárias da eleição de 2008. O PDT estava reunido no seu diretório, no Centro de Anápolis, para referendar a candidatura de José de Lima. O então prefeito Pedro Sahium já estava no segundo mandato e por isso o jogo estava aberto – obviamente, os políticos locais estavam animados pela perspectiva de poder.

Mas o que seria a consolidação de uma candidatura acabou se transformando em um exemplo de imposição. Os comandantes do PDT de Goiás na época, Isaura Lemos e Euler Ivo, enviaram um interventor a Anápolis, que dissolveu o diretório e determinou que o partido apoiasse a candidatura de Ridoval Chiareloto (PSDB).

Dois anos depois, em 2010, ainda no PDT, José de Lima foi eleito para seu primeiro mandato de deputado estadual.


Atropelado pelo diretório

Em 2000, o ex-vereador Edward Júnior tinha um trunfo importante para ser o candidato do PSDB a prefeito de Anápolis: era genro do ex-governador Henrique Santillo, padrinho político de Marconi Perillo, que pelo mesmo PSDB havia virado governador dois anos antes, com uma vitória histórica em cima de Iris Rezende.

Mas Edward foi atropelado pelo diretório tucano, que lançou a candidatura de José Lopes, um ex-petista.

Naquela eleição a cidade optou por um outsider, o empresário Ernani de Paula, eleito pelo PPS. A história daí em diante é conhecida: Ernani foi cassado e o PSDB nunca chegou ao poder em Anápolis.


Apoio dividido

Em 2004, mais uma vez a surpresa antes da campanha veio do diretório do PSDB. O partido tinha tudo para lançar candidato próprio, mas por desentendimentos internos, optou por apoiar outra candidatura. A decisão natural seria por Pedro Sahium, que disputava a reeleição pelo PSB, mas o próprio racha interno levou os tucanos a se aliarem ao candidato petista Rubens Otoni, lançando como vice o ex-vereador José Vieira.

O PSDB nunca esteve por completo na campanha de Rubens. Prova disso que um dos nomes fortes da sigla em Goiás, o ex-deputado federal Fernando Cunha Júnior, seguiu ao lado de Sahium. O governador Marconi Perillo, um importante cabo eleitoral, evitou aparecer na campanha – pelo menos não na intensidade que seria decisiva. Sahium acabou reeleito.