“Tem pré-candidato que pede voto denegrindo o lugar que ele quer estar”

Dono de 7 mandatos, vereador Mauro Severiano diz que ao invés de apresentar propostas, alguns tentam ganhar voto falando mal do Legislativo



MARCOS VIEIRA


Mauro Severiano (PSC) caminha para sua oitava campanha de vereador. As outras sete ele venceu, o que lhe coloca entre os recordistas de mandatos em Goiás. Mauro foi eleito pela primeira vez em 1992, no século passado, como costuma dizer.


O vereador lamenta a postura de alguns pré-candidatos, que acreditam que vão conseguir votos falando mal da Câmara Municipal. Segundo Mauro, eles difamam o poder no qual querem fazer parte um dia.


Leia a seguir a entrevista concedida ao Anápolis 360° na última quarta-feira (24.jun).


O senhor falou algumas vezes na tribuna sobre esse momento pré-eleitoral, esse debate que é feito principalmente em cima da Câmara. Pela sua experiência, qual o comportamento que um pretenso candidato deve ter nesse momento?

Muito equilíbrio e sensibilidade. Pré-candidatos, que pleiteiam uma vaga na Câmara Municipal, pedem votos denegrindo a imagem do poder [Legislativo] que um dia ele poderá estar. Não faço política assim. Digamos que um dia eu decida ser candidato a deputado estadual ou federal: eu não vou ficar xingando a Assembleia Legislativa ou a Câmara Federal. Eu tenho minhas metas, projetos e caminho. Mas muitos pré-candidatos a vereador, e não quero generalizar, fazem isso. Eu já passei por isso, fui vítima, acho ridículo. Pessoas que querem se candidatar, ganhar seus votos, tem que conquistar o eleitor e mostrar para ele porque ele quer ser vereador, qual meta de serviço, quais projetos para a população. Denegrir a imagem dos futuros colegas dele na Câmara não é o caminho.

O eleitor de Anápolis não é bobo. Eu fui chacoteado no passado, pessoas falando de mim e não adiantou nada, parece que meus votos aumentaram. Mas deixa eles falarem. Coca-Cola vende porque anuncia. Falar mal de vereador é porque tem inveja, pois ninguém é vereador por acaso.

Vereador é vidraça hoje e os meus colegas também precisam entender isso. Eu aceito as críticas, mas essa coisa de fake news, isso não. E quem fala mal, 90% é candidato. Denegrir o poder que um dia fará parte é entrar em contradição.


Falam mal da política para entrar na política, embora seja algo fundamental na sociedade. O que acha dessa estratégia?

Os que mais criticam os vereadores e prefeitos, embora seja um direito que lhes assiste, são pré-candidatos. E ninguém é político por acaso. Hoje a política tem na igreja, em casa, em todo o lugar. Política não é só para detentor de mandato, tem em qualquer lugar onde há pessoas. As pessoas que mais denigrem os poderes constituídos é que querem ser políticas. Ensaiando ser político, mas falando mal. Ele tem que mostrar o que pode fazer, quais são suas metas, qual sua visão das coisas. Eu faço críticas políticas, mas não denigro a imagem pessoal de ninguém.


O que muda com a pandemia nessas eleições?

Muda muita coisa. Está mudado já. Eu sou contra o voto obrigatório. Eu queria voto facultativo. A pandemia vai pegar muita gente de surpresa. Tem gente que prefere pagar os R$ 2,50 de multa, não ir votar e fazer outra coisa no dia. A abstenção será altíssima, assim como votos em branco e nulos. Muita gente vai deixar de votar, mas talvez não por causa dos candidatos, mas pela própria situação de sair de casa.


Mudar a data da votação resolve algo?

Não resolve. Ainda mais final de ano. Já há uma descrença com a política de um modo geral, ainda tem a pandemia. Não sei porque o TSE propôs mudar essa data, porque seguirá tendo aglomeração. Eu gostaria que legisladores dividissem a votação pela letra inicial do nome das pessoas, até mesmo em dias diferentes, ou mesmo horários. Mas não é por causa dessa mudança que o vírus deixará de existir. Ele seguirá antes e depois das eleições.